A economia do freela

"A economia do freela é a expressão definitiva da transformação do mercado de trabalho"

Plataformas digitais, como o Uber, e outras plataformas de compartilhamento, estão subvertendo as relações entre empregadores e empregados.

Muito tem se falado sobre estas plataformas e o impacto disto na economia, mas para os especialistas e cientistas políticos esta discussão vai muito além das queixas à favor ou contra.

As plataformas digitais que conectam trabalhadores com clientes são a base do que se convencionou de “economia do freela”. É um mundo que subverte tudo o que se entende por emprego e direitos trabalhistas.

Numa entrevista dada a uma revista de negócios, o professor de Estudos Sociais e Políticos da Universidade de Yale, Jacob Hacker, afirma que a economia do freela veio para ficar e que cabe agora aos governos e cidadãos decidirem que forma terá esse novo e incerto mercado de trabalho.

Segundo o professor, a instabilidade do emprego e a instabilidade na renda, mesmo quando as pessoas estão empregadas, são os principais fatores para o surgimento desta nova economia.

A mudança para essas plataformas digitais ou para essa chamada economia do freela é a continuação de uma tendência de transferir para os empregados o risco dos empregadores. E o risco tem dois lados: potencial de ganhar mais, mas também o risco de perder.

As relações de trabalho eram de longo prazo e envolviam benefícios generosos, horas estáveis, regulados por contratos ou através de sindicatos. Atualmente estamos caminhando para um modelo onde o trabalhador vende seu trabalho numa espécie de bolsa. Neste mundo, os benefícios trabalhistas são raros: planos de saúde, aposentadoria, etc, tornando a economia de freela, em alguns casos, mais vantajosa para certos trabalhadores, mesmo isto significando aceitar a não existência de uma relação formal de empregador e empregado.

No entanto, em outros casos, a substituição da relação tradicional por uma relação incerta e distante, como é o caso de serviços de transporte de passageiros, em que os motoristas não tem garantias nenhuma, as questões jurídica e trabalhista terão que ser discutidas mais profundamente. Questões como se a responsabilidade por um péssimo serviço é do motorista ou da empresa que intermedia? Se algo der errado quem assume a responsabilidade? Tudo isto ainda vai ser decidido nos fóruns da opinião pública ou política nos próximos anos.

Segundo o professor Jacob, é inevitável que os riscos sejam cada vez mais transferidos dos empregadores para os empregados. As questões são como regulamentar essa mudança e como os governos e as organizações privadas podem oferecer algumas seguranças básicas para os trabalhadores e para os usuários destes serviços.

Se estivermos caminhando para uma direção onde os intermediários simplesmente mantêm distância dos prestadores de serviços, será necessário repensar como regular o mercado de trabalho e o mercado consumidor.

Plataformas que unem a oferta e a demanda de trabalho podem melhorar a vida das pessoas, entretanto não podemos esquecer que o capitalismo é amoral e que a principal recompensa é o lucro. A busca pelo lucro pode levar a abusos bem como a muitos avanços. Um mercado sem muitas regras e proteções básicas vai tender ao que gere mais lucro.

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