A difícil arte de se comunicar

Poucas coisas são tão desafiantes na sociedade atual do que saber se comunicar. Parece contraditório afirmar isso em uma era conhecida como “da informação”, mas, na prática, o que estamos vivendo é um momento em que as pessoas podem se expressar por diversos canais e buscarem informações em uma amplitude de fontes, o que não significa que a comunicação, em seu conceito mais básico (emissão de uma mensagem, por meio de um canal, que será entendida pelo receptor) esteja ocorrendo

Poucas coisas são tão desafiantes na sociedade atual do que saber se comunicar. Parece contraditório afirmar isso em uma era conhecida como “da informação”, mas, na prática, o que estamos vivendo é um momento em que as pessoas podem se expressar por diversos canais e buscarem informações em uma amplitude de fontes, o que não significa que a comunicação, em seu conceito mais básico (emissão de uma mensagem, por meio de um canal, que será entendida pelo receptor) esteja ocorrendo.

O que vemos cada vez mais, infelizmente, é que as pessoas tem disseminado informações falsas, dado credibilidade a boatos, e utilizando de informações para legitimar um ponto de vista, na maioria das vezes, acirrado. Em 2013, um relatório do Fórum Econômico Mundial, por exemplo, apontou que informações erradas na internet representam um dos grandes riscos para a sociedade moderna, assim como o terrorismo. Acreditar que se está bem informado pode significar apenas estar mal informado por muitas fontes.

Da mesma forma que costumo abordar na gestão do tempo, ter muitas tarefas a realizar não significa, necessariamente, produtividade. Esse pode ser apenas um sinal de desorganização. Da mesma forma, um turbilhão de informações à disposição, repito, não é sinônimo de estar bem informado. É preciso estar atento à credibilidade dos emissores dessas mensagens, e dar preferência a informações que contribuam para a geração de conhecimento sobre o mundo que nos cerca, e que não apenas reforcem os conceitos e pré-conceitos que já temos.

No mundo corporativo, saber transitar entre essa linha tênue pode ser o diferencial para um profissional que quer sobressair no mercado. A análise das redes sociais dos candidatos a vaga já se tornou tão comum quanto a análise de currículos, em muitas empresas. O que esperar de um profissional que só compartilha conteúdo sob o qual pairam-se dúvidas em suas redes? Implicitamente, esse comportamento demonstra que o indivíduo não se dedica à pesquisa séria.

A constatação a que chegamos é que a quantidade de informação disponível só deixa cada vez mais evidente que boa parte desse conteúdo não atinge o objetivo, ou sequer tem um objetivo claro. Nesse cenário, saber se comunicar com eficiência e responsabilidade é um diferencial e, mais do que isso, uma premissa que a evolução da informação não mudou.

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