A difícil arte de praticar

Muitos dos nossos intentos não são levados adiante por diversos motivos

A teoria e a prática sempre estiveram em posições conflitantes, sob o aspecto de que tudo que aprendemos na nossa vivência, em salas de aulas, nos debates, palestras e afins, nem sempre condizem com o que aplicamos ou, pelo menos tentamos. Ouvi uma meia dúzia de vezes, nas falas introdutórias do curso de Administração, que a maior dificuldade do profissional é pôr em prática o que foi ensinado durante os quatro anos. Um professor menos exigente alertava sempre ao fim de cada aula: Pessoal, saiam daqui hoje pelo menos com um conceito em mente!

O fato é que, as infinitas reuniões, ditas estratégicas, nos mais variados segmentos, sejam eles empresarial ou político-via de regra- são um mar de decepção quando descambam para a execução prática propriamente dita. Nem sempre o que foi debatido e planejado tem sua execução facilmente levada a cabo por diversos aspectos, dentre os quais:

  1. Falta de comprometimento da equipe;
  2. Dificuldade dos líderes em transmitir as diretrizes;
  3. Ausência de capacidade técnica dos executores.

A falta de comprometimento da equipe, de um modo geral, é uma das principais barreiras à execução de um projeto qualquer. Na grande maioria barra-se no indivíduo inapetente que, no sentido literal da palavra, significa falta de apetite. No âmbito figurativo trata-se de colaborador que não possui ânimo ou vontade de trabalhar, por diversos motivos, inclusive de cunho psicológico. É a má vontade, representada na indolência, na desídia ou na iniciativa deliberada de boicotar o bom andamento dos processos.

A ausência da capacidade técnica dos executores ou, a popular incompetência, está no mesmo patamar da inapetência. E engana-se quem pensa que está somente ligada à falta de preparo nas faculdades, escolas ou cursos técnicos. Existem pessoas competentes que nunca freqüentaram cursos regulares, como também há as que esquentaram horas a fio cadeiras de faculdades e, não possuem competência mínima para desonvolver a mais simplória das atividades administrativas.

A dificuldade dos líderes em transmitir seus pensamentos e suas ideias é uma outra nuance do que se pode chamar de incongruência entre a teoria e a prática. Muitas reuniões duram horas ou dias e os gestores incumbidos de transmitir as orientações para execução das tarefas não conseguem fazê-lo.Tal situação acontece, na maioria das vezes, em decorrência da dificuldade de se transformar dados em informações. Muitos lideres possuem profundo conhecimento da organização na qual trabalham, de todas os processos internos e, no entanto, não conseguem repassá-las aos demais colaboradores, justamente por ser o conhecimento difícil de ser transmitido.

A práxis é uma palavra de origem grega e, dentre outras definições, corresponde a conduta ou ação; atividade prática em oposição à teoria. Ela define de forma sucinta e didática a execução a partir de um planejamento ou de uma ideia.

Um exemplo bem mais pragmático e evidente da ausência da práxis é em nossa política de um modo geral. Durante a campanha grassam promessas das mais variadas formas e tamanhos, no entanto as ações se mostram contraproducentes e com uma dose de esquecimento, peculiar aos governantes brasileiros.

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento