A delegação como forma de envolvimento (e motivação)

Em situações como a que estamos vivendo, ou seja, a recessão que se instalou no país, a falta de crescimento interno e externo, cortes nos orçamentos, é que realmente descobrimos ou enxergamos sem o véu em nossa face a capacidade da liderança empresarial sobreviver ou não a esta situação

Em situações como a que estamos vivendo, ou seja, a recessão que se instalou no país, a falta de crescimento interno e externo, cortes nos orçamentos, é que realmente descobrimos ou enxergamos sem o véu em nossa face a capacidade da liderança empresarial sobreviver ou não a esta situação.

Se você trabalha com serviços, por exemplo, e estes serviços ofertados não necessitam de insumos em dólar ou reais, independente do porte que a empresa seja, em razão da economia como um todo acarretar uma série de cortes e demissões, por exemplo, e a sua gestão for inteligente, os preços dos serviços podem ser congelados. Além deste congelamento, o gestor e sua equipe de marketing e vendas (se houver!) deverão analisar diversas estratégias a fim de continuar captando clientes além de manter aqueles que já fazem parte da listagem interna. Pior que correr atrás de novos clientes, é correr atrás daqueles que por algum motivo, deixaram de acreditar naquilo que você oferece. Isso é uma questão óbvia de sobrevivência em tempos dificílimos. Por mais que se pense que aquilo que é oferecido é fundamental para as pessoas, há de se lembrar que uma crise está em pleno vigor e todo e qualquer dinheiro guardado, aplicado é sinônimo de preservação e segurança.

Para ilustrar o que foi dito até o momento, podemos imaginar a seguinte situação: você trabalha numa empresa de pequeno porte, familiar, com aproximadamente 15 funcionários diretos e indiretos. O cenário econômico apresentado é de retração. Empresas cortando bolsas de estudo, algumas demitindo, e com certeza, nenhuma contratando e/ou investindo. Mesmo assim, com este cenário alarmante, sua gestão decide, por conta própria, aumentar os valores dos serviços baseado simplesmente pelo fato de que nos últimos dois ou três anos, não houve reajuste. Um momento: a economia está paralisada, a realidade financeira das pessoas está cada vez mais preocupante e os preços são reajustados?

Evidentemente que os preços devem ser atualizados, mas se sua empresa pratica preços altos em relação à concorrência, baseado em valores que apenas os clientes podem enumerar, deve-se ter bom senso, para não dizer inteligência, e, ao invés de mexer na questão “dinheiro” criar estratégias diferenciadas daquelas já praticadas, pois o momento exige isso, a fim de principalmente manter os clientes já existentes, mas também, independente do cenário econômico desfavorável, mostrar que seu produto ou serviço é importante para o crescimento pessoal/profissional e diferenciação num mercado acirrado e pouco empregador.

Mais importante ainda, é a gestão criar (caso não tenha) equipes, setores em que possa confiar e discutir estratégias a serem implementadas na empresa. É necessário delegar, descentralizar, o que não significa se eximir das decisões, mas sim melhorar a relação com os colaboradores, onde todos são ou se tornem responsáveis pelo sucesso ou insucesso da empresa. Isso faz diferença!

Para que haja uma melhor descentralização e consequentemente, clara delegação de tarefas, algumas situações devem ser levadas em consideração a fim de que o trabalho fique claro o suficiente a ponto de os colaboradores darem conta do recado sem bater as cabeças uns nos outros e por fim passar a imagem errada de que não são bons o suficiente para a realização daquilo que lhes foi incumbido.

São elas:

  • Atentar para as competências necessárias da equipe x a possibilidade de delegação;
  • Definir e descrever claramente cada tarefa;
  • Ser específico;
  • Pedir que o subordinado repita as instruções da tarefa para o gestor a fim de assegurar que o que é esperado tenha sido compreendido em sua totalidade;
  • Perguntar ao subordinado quais as dúvidas, anseios e necessidades que porventura ainda tenha.

Evidentemente que antes de o gestor simplesmente se encontrar com seus colaboradores para passar as tarefas, ele deve preparar-se com antecedência.

Por mais que haja preparação do gestor para explicar o que deseja em termos de resolução do trabalho atribuído, não se pode jamais esquecer de definir prazo de entrega. Deixar o mais claro possível, tal qual cristal, qual a importância do trabalho, urgente ou não, e definir a data de entrega do mesmo.

Tão importante quanto tudo o que já foi dito até o momento, é definir o grau de autonomia ao funcionário no momento da delegação da tarefa.

Dona M. Genett, autora do livro O poder de delegar, ed. Bestseller, p. 53, também aborda acerca da Autonomia, sendo:

  1. Autonomia para RECOMENDAR. Permite ao funcionário pesquisar planos de ação e propor a melhor alternativa. Atribuir este grau de autonomia quando precisar de informações antes de tomar uma decisão.
  2. Autonomia para INFORMAR SOBRE A AÇÃO E COLOCÁ-LA EM PRÁTICA. Permite ao funcionário pesquisar e escolher o melhor caminho; reportar o porquê da escolha e começar a agir. Atribuir este grau de autonomia quando quiser que possíveis planos de ação sejam previamente informados para que problemas potenciais possam ser prevenidos.
  3. Autonomia para AGIR. Confere ao funcionário autonomia plena para agir com respeito à tarefa ou ao projeto. Atribuir este grau de autonomia quando confiar nas aptidões de alguém ou a tarefa envolver riscos mínimos.

Ainda, em relação à delegação e autonomia, devemos lembrar também a respeito do tamanho do projeto. Quanto maior e mais complexo o projeto, maior a atenção e peculiaridades que ele carrega. Desta forma, é necessário estabelecer pontos de verificação. Estes pontos ajudarão a certificar que tudo caminha na direção correta.

Ainda, conforme Genett, pp. 62-63, “os pontos de verificação devem ser próximos no início do projeto. Mais tarde, após o executor ter demonstrado competência e mostrado que está no caminho certo, os pontos podem ser espaçados. Dessa maneira, você não permite que o projeto fique muito tempo sem seu acompanhamento. Se algo sair dos trilhos, você poderá controlar o problema antes que se torne sério.”

Para encerrarmos, podemos sinalizar alguns benefícios da delegação com eficácia:

  • Permite que a gestão ganhe tempo;
  • Permite focar no que é mais importante;
  • Permite que o pessoal cresça em capacidade e confiança;
  • Permite que se desenvolva, treine e oriente o pessoal;
  • Crie oportunidades de reconhecimento;
  • Permite fazer levantamentos sobre os baixos desempenhos; e
  • Assegura resultados positivos.

Assim sendo, parece-nos extremamente claro, os benefícios da delegação e descentralização das tarefas. Porém, mais uma vez é necessário que a gestão da empresa, na figura do gerente, do gestor principal da empresa mude seus paradigmas e abra os olhos para a realidade que o cerca. É preciso enxergar a potencialidade de cada colaborador e dar-lhes a oportunidade de mostrar serviço, sempre, evidente, com o devido acompanhamento do seu líder!

Referências bibliográficas:

GENETT, Donna M. O poder de delegar. Tradução Alexandre Tuche. Rio de Janeiro: Bestseller, 2006.

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