Café com ADM
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A decepção venceu a esperança!

. . . O PT participou de quatro eleições presidenciais, desde 1989. Perdeu as três primeiras e venceu a última, quando a esperança conseguiu vencer o medo! Havia muita desconfiança em relação ao PT, tanto da parte dos empresários, como da parte da classe média, que tinham medo das propostas pouca ortodoxas do Partido dos Trabalhadores, principalmente em relação à economia, que sempre foi o ponto nevrálgico da política brasileira. Em 2002, finalmente, o povo brasileiro quis mudar e votou, em sua grande maioria no PT, dando ao seu candidato uma vitória consagradora. Todos sabiam que votar no PT implicaria em provocar mudanças radicais em todos os setores da vida brasileira e, no fundo, todos esperávamos, inclusive eu, que votei no PT no primeiro e no segundo turno, que o PT desse um choque de ética nos procedimentos e nas decisões políticas no Congresso Nacional e no Governo. O povo brasileiro queria mudar a economia; queria baixar os juros; queria por um ponto final à política neoliberal; queria o fim do fisiologismo; queria acabar com a relação promíscua entre o Governo e alguns empresários, que sempre viveram às custas do Poder; queria que o Governo gastasse menos; queria dar um basta ao nepotismo, queria acabar com o famigerado superávit primário e queria por um fim ao ciclo de corrupção que se instalou no país, definitivamente, desde o Governo Collor. O PT representava todas essas mudanças e por isso venceu as eleições. Mas nada mudou! As coisas continuaram do mesmo jeito na economia, um superávit primário mais alto e ainda mais perverso, juros altíssimos, fisiologismo, inchamento da máquina governamental, nepotismo e por último, uma enxurrada de denúncias de corrupção, que mesmo que não sejam verdadeiras, já macularam, definitivamente, a história do Partido. O PT, pela sua trajetória, jamais poderia ter mantido a mesma política econômica de FHC, que ele condenou durante 8 anos. Jamais poderia ter se posicionado a favor da taxação de pensionistas e de inativos, a que ele se opôs, sempre que isso foi tentado pelo Governo passado. Jamais poderia ser contra a correção da Tabela do Imposto de Renda, que sempre foi uma das suas bandeiras. Jamais poderia não só manter como ainda aumentar o superávit primário, cortando recursos de investimentos sociais. O PT, no Governo, se rebelou contra o seu Programa de Governo e ainda teve a coragem de expulsar Deputados que foram fiéis a sua história política. Há hoje, em todo o Brasil, um sentimento de frustração muito grande, porque o PT, que era a esperança, se igualou a todos os demais Partidos, com práticas absolutamente condenáveis e com uma relação com o Poder e com empresas inidôneas que não consegue explicar para os seus eleitores. A Revista Veja publicou esta semana uma entrevista em que a maioria da população brasileira 55% - acha que o Presidente sabia da existência de corrupção no Governo; 48% acham que o PT não é um Partido honesto; 46% acham que o Presidente não pode falar em Ética e 54% acham que a alta cúpula do PT, incluindo o Deputado José Dirceu, estava toda envolvida no escândalo. É o comprometimento da imagem do Presidente e joga o PT na lama da corrupção. O PT não sai dessa crise impunemente e muito menos o Presidente, porque eles não tinham o direito de deixar que a decepção vencesse a esperança e de jogar no lixo 25 anos de lutas pela democracia e pela moralidade no nosso país. . . .
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