A crise que não existe e o surgimento de um novo modelo econômico

A crise econômica sob a ótica empreendedora

A crise é perspectiva. Sim, você não leu errado e calma que vou te explicar.

A crise entrou na moda de forma literal no início do ano passado. E é hábito do brasileiro (e não só o brasileiro) encontrar algum fator culpável pra empurrar um conjunto de fracassos sistemáticos. Não existe crise por aqui simplesmente porque crises são de fatores particulares, e no âmbito governamental o que existe é uma recessão, ou seja, uma contração econômica. A recessão é do sistema e é resultado das crises particulares do englobo econômico. Já a crise é particular, é uma contração evoluída, só sua e somente você pode muda-la.

O que as pessoas ainda não entenderam é que a economia mudou de forma, o capital mudou de caráter e a forma das pessoas se comunicarem e consumirem também mudou. A economia agora é DIGITAL. Digital? Exatamente, digital. Os processos de relação e interação humana mudaram e isso reflete de forma muito direta e quase assustadora no prognóstico econômico, e as empresas que não conseguirem se adaptar a essa nova maneira de se fazer dinheiro serão infelizmente vítimas de uma crise, não econômica, mas comportamental.

Perceba o tamanho dessa mudança na forma como os serviços são prestados por exemplo. O meu caso. A cerca de três anos eu tinha uma necessidade enorme de gastar muito com escritório e veiculo (combustível), pois meus clientes eram todos atendidos de forma presencial. Hoje, 90% das minas assessorias são remotas, minhas reuniões via Skype fazem com que eu fique muito mais no meu office que na rua.

O que isso muda? Muda minha forma de encarar as necessidades, se antes eu precisava trocar e fazer manutenção no meu veículo constantemente, hoje eu já posso repensar minhas prioridades. Se antes eu precisava de cada vez mais espaço físico e funcional, hoje eu não preciso mais que um bom notebook e uma sala organizada. O meu fator comportamental (que não é só meu) refletido a numa retrógrada e cara política econômica automotiva e de construção, resulta num parecer óbvio. Queda de vendas.

Não que o brasileiro tenha parado de comprar veículos, ou de construir algo, ele continua comprando, mas o fato é que hoje ele é menos refém dos antigos meios que tanto deram lucro e empuraram o protudo interno bruto, e resolve quase tudo em casa, pela internet e pensa algumas vezes quando percebe o quanto é caro e desnecessário se atualizar. Não é uma questão de crise meramente, mas de não adaptação política e econômica do setor. E isso se aplica a várias e várias vertentes. É uma recessão econômica geral que se tornou crise pra um setor que não entendeu isso.

O fato é, que uma crise pra ser crise, precisa ser total. Perceba por exemplo a Grécia. A Grécia está em crise, uma crise que se iniciou por dívidas públicas e pode resultar até na saída do país da zona do euro. Uma crise que atende todos os setores da economia. Por aqui vários segmentos ainda crescem muito, mas os maiores e consequentemente mais arcaicos puxam o PIB pra baixo e os veículos de comunicação por motivos particulares criam todo o alarido preciso. Quero apresentar alguns números pra vocês.

O Google Play, loja de aplicativos do Google cresceu quase 90% no Brasil em 2014. E o Brasil (em crise?) foi o país que apresentou o maior índice de crescimento de 2014 para 2015 no mundo.

Em 2014, das empresas que mais cresceram, cerca de 27% delas eram empresas de Tecnologia de Informação e outra grande fatia foram empresas que focaram parte ou toda sua estrutura comercial na internet.

A Netshoes, empresa brasileira de comércio esportivo, foca toda sua estrutura comercial e teve um crescimento de 18,9% em 2014. Crise?

Economia é reflexo de capital, e como estão os bancos? Temos duas vertentes muito importantes. A primeira é o Bradesco, o banco investe a muito tempo em estrutura digital, sua página do facebook hoje tem quase 5 milhões de pessoas, contra 1,7 milhões do Banco do Brasil por exemplo. Além disso, lançou o conceito BRA e criou aplicativos de interação com conta, depósito de cheque pelo celular e várias ferramentas. Resultado? Um dos maiores crescimentos da história em 2014 e quase 4,3 bilhões só no primeiro trimestre de 2015. Em contrapartida, bancos que focaram suas diretrizes e demoraram a entender esse novo perfil consumidor amargam hoje índices menores e alguns até fecham culpando a economia nacional, como é o caso do HSBC.

Ainda sobre crescimentos, não poderia deixar de lembrar dos pagamentos. Antes quase sempre físico (dinheiro e moedas) agora tudo é cada vez mais abstrato. Hoje importa-se o valor das coisas e não meramente seu preço. Empresas de pagamento digital, como PagSeguro ou PayPal crescem absurdamente, com taxas que chegam a ultrapassar os 30% ao ano.

No setor automotivo, quase todas as marcas apresentam índices baixos. Quase, mas não todas. Temos empresas como a AUDI, a Toyota e a Honda que apresentam crescimento acima dos 10%. O que elas tem em comum? Tecnologia, investiram muito em estrutura digital em seus carros, e hoje apresentam diferencial econômico enorme frente a concorrência.

É lógico que existem ainda fatores políticos envolvidos. Falta e sempre irá faltar vontade política. Nossos impostos são absurdos, nossa carga tributária só aumenta, o setor energético é um dos mais caros e ineficientes do mundo. E isso tudo te proporciona duas escolhas: Ou você aceita a crise e se torna mais uma pobre vítima do sistema. Ou entende que o mundo mudou e que você precisa entender essa mudança e fazer parte dela, sob pena de ficar pra trás.

É uma escolha sua, fazer ou não parte dessa crise. Eu já decidi que não vou.

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