A crise e o RH

A cada dia surgem novos indicadores que comprovam a difícil situação econômica que vivemos com números alarmantes

A cada dia surgem novos indicadores que comprovam a difícil situação econômica que vivemos com números alarmantes de desemprego, fechamento de empresas (principalmente no varejo), inflação, projeção do PIB para 2015, e perspectivas ruins para o biênio 2016/2017. É fato que estamos entrando no meio do furacão e as coisas podem piorar.

Neste cenário de filme de terror, empresas começam a rever seus custos, seus investimentos e reavaliar seus ativos além – é obvio – da sua folha de pagamento. A maioria das empresas pensa na forma de cortar seus custos e se manter viva no mercado e quando olham para a sua folha de pagamento enxergam (mesmo que não haja) um enorme número que na concepção de alguns pode e deve ser reduzido. É prudente manter um gerenciamento dos custos permanentemente e não apenas em momentos difíceis, mas é inteligente conhecer e reconhecer que alguns custos e/ou despesas geram receita, lucratividade e caixa. Corta-los significa reduzir custos, mas também receita e caixa.

Para chegar e se manter no sucesso as empresas precisam de investimentos, planejamento, processos alinhados, austeridade e competência para gerir tudo e extrair receita (lucratividade e caixa) suficiente para manter a operação saudável, mesmo em momentos difíceis. Porém maquinas necessitam de energia e manutenção para produzirem resultados, mas quem compra, realiza a manutenção, opera o equipamento? Processos são desenhados, implantados e acompanhados. Mas, quem desenha os processos, implanta, acompanha e corrige? Lucratividade e caixa são consequência de operações internas (produção) e externas (vendas). Mas, quem trabalha na produção, produz com qualidade, deve apresentar soluções, realiza vendas saudáveis e abre novos mercados?

Pessoas

A palavra chave para superação é Pessoas. Não adianta termos uma parque de máquinas espetacular se não há quem faça manutenção ou a opere com o devido cuidado. Não adianta realizar investimentos se as Pessoas não estiverem envolvidas no processo de realização. Em resumo, ou você cuida muito bem das pessoas que trabalham com você ou então passara por momentos extremamente desagradáveis mesmo que tenha uma linda empresa.

A área de Recursos Humanos possui a cada dia uma importância absoluta nas empresas por ser a área responsável por criar e manter um ambiente de entusiasmo para que todos produzam com satisfação. Não falo de ações de motivação. A motivação é pessoal e já existe. Salários, benefícios, falta de nova oportunidade. Estou falando de entusiasmo, alegria, vontade de fazer bem feito e de voltar no dia seguinte sorrindo.

entusiasmo (do grego en + theos, literalmente 'em Deus') originalmente significava inspiração ou possessão por uma entidade divina ou pela presença de Deus.1 Atualmente, pode ser entendido como um estado de grande arrebatamento e alegria.2 Uma pessoa entusiasmada está disposta a enfrentar dificuldades e desafios, não se deixando abater e transmitindo confiança aos demais ao seu redor. O entusiasmo pode portanto ser considerado como um estado de espírito otimista.

É disso que estou falando.

Mas, como conseguir isso? Concedendo aumentos, benefícios, sendo complacentes com maus desempenhos, fechando os olhos para aqueles que burlam as regras? Não. Apenas dando a devida atenção, ouvindo, avaliando, treinando, punindo os ruins e demonstrando que todos fazem parte do sucesso ou insucesso do negócio. Parece simples, mas não é.

Vejo com frequência gestores de Recursos Humanos que nunca saíram de suas salas com ar condicionado para conversar com os demais colaboradores. Conheço vários que ainda fazem um lindo discurso na certeza (coitados) de que podem enganar, iludir, motivar. É comum ouvir que colaboradores só pedem, reclamam, querem moleza, não estudam, não se aprimoram, não participam, vivem cansados e coisas do gênero. Quando pedimos a alguns colaboradores que falem sobre a empresa a resposta de 90% é a mesma. A empresa ou seu representante (o tal chefe) os trata com desrespeito, ninguém os ouve, vivem contando mentiras, só cobram, nunca ouviram um elogio, nunca viram ou falaram com o Sr. RH. E você, como definiria a sua empresa?

O discurso de que pessoas são o maior patrimônio de uma empresa precisa se transformar em realidade e os gestores de Recursos Humanos precisam deixar de se preocupar apenas com seu emprego e cuidar do emprego do seus colegas e principalmente com o resultado do negócio, entendendo definitivamente que ele é o responsável direto, único por fazer com que colaboradores trabalhem com entusiasmo e superem juntos este e qualquer outro momento de dificuldade.

Costumo dizer em minhas palestras que 2015 é o ano dos muito bons e aqueles que estão gestores de Recursos Humanos deveriam ser os primeiros a ter uma avaliação de seus resultados. Para avaliar e não errar, basta olhar a sua volta.

Antes de pensar em cortar algum digito de sua folha de pagamento, pense no que sua empresa poderá perder sem ele.

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