A coerência também faz parte de sua vida?

No mundo dos negócios e de sua2s relações a coerência e a autenticidade deveriam ser protagonistas inseparáveis

Recentemente uma sentença de Leonardo Boff me chamou atenção. Refleti calmamente sobre seu significado na minha vida e de todos que pensam sobre o futuro. Não como forma de prever, mas de prevenir sobre as surpresas evitáveis. Ele lucidamente diz: Ninguém vale pelo que sabe, mas sim pelo que faz com aquilo que sabe.

Foi como um filme em minha cabeça, em que busquei vários exemplos de pessoas que bem usaram o saber e a experiência como centelhas de sabedoria a iluminar vidas de outras pessoas.

Pensei também em mim. Em minha esposa. E indaguei silenciosamente: o que estamos fazendo de nossas vidas? Que destino estamos dando ao que aprendemos? Estamos sendo suficientemente consciente e maduro para dividir o que somos perante nossos filhos e outras pessoas que passam pela nossa vida?

Leonardo Boff nos remete a Hilel quando nos ensina: Se faço somente para mim, quem sou afinal. Penso que ninguém pode ser grande se não foi capaz de engrandecer outrem. Não há registro na história da humanidade de alguém que tenha guardado pra si seu invento ou sua sabedoria e que tenha se destacado como personalidade marcante.

Toda palavra que não ilumina aumenta a escuridão. Não adianta apenas saber ou ser experiente. É preciso que tudo isto tenha um efeito prático, positivo e construtivo, principalmente para a vida de quem está em nosso redor. Aqui as competências (emocionais e profissionais) revelam o exato sentido da coerência, da autenticidade. Por exemplo: produzir muito não é sinônimo de produzir bem, mesmo quando tudo parece perfeito. É preciso analisar se as pessoas envolvidas no processo estão agregando valor ao que foi produzido. Em equipe não pode haver exceção quando o objetivo é comum. Quem lidera ou educa pessoas sabe que este insigth de Madre Tereza se aplica ao comportamento: toda ação humana tem o poder de realizar o bem ou fazer o mal.

Diz Frankl que o sentido ultrapassa os limites do interesse pessoal. Creio que aqui o segredo desvendado de tantas pessoas que não se realizam pessoal e profissionalmente. Divagam pela autorrealização ou qualquer outra ação que se dirige para si, e não para o outro. Há estudos que provam que o índice de insatisfação das pessoas com o que fazem chega a mais de sessenta por cento. Quem busca sua realização considerando seus próprios interesses nunca alcançará uma vida significativa.

Essa visão unilateral tem levado muitos líderes e executivos ao fracasso. De modo semelhante pais e educadores tem resvalado no insucesso. E os cursos de liderança, motivação e outros tantos temas voltados para o desenvolvimento humano e organizacional tem falhado por não considerar a conduta individualista reinante em nossa cultura. Por isso é que quando o tema é formar equipes integradas e de alta performance o desafio se torna um dilema.

Podemos afirmar com tranquilidade que uma das virtudes do líder é ser empático. Perceber e compartilhar os sentimentos de sua equipe e clientes. Ora, não é esse o conceito, o sentimento que a Apple agrega aos seus produtos. Se à matéria conferimos tais valores, imaginem o que merece o ser humano.

Observando os ambientes das empresas feitas para durar como diria Jim Collins, constatamos que o uso da coerência é uma regra e não exceção. Penso que Gandhi anteviu o valor da coerência quando disse: Felicidade é quando o que você pensa, o que você diz e o que você faz estão em harmonia. Esteja onde estiver, seja quem for, todos merecem ser felizes. Será que somos capazes de ser coerentes quando alcançamos o poder e a riqueza?

Uma característica comum nas pessoas virtuosas é a arte de surpreender. São tremendamente competentes, fazem com uma maestria incomum. Reconhecem e confessam seus erros com naturalidade. Sabem aproximar-se quando alguns se afastam. Sempre encontra meios para ajudar. É mestre em transformar problemas em desafios. Não busca pretextos quando tem oportunidade de fazer o bem.

Hoje as melhores empresas para trabalhar não medem esforços para mostrar a transparência e a coerência entre sua conduta interna e externa. É importante mencionar que este modo de agir faz bem a todos, pois até os emocionalmente inconstantes lutam para mostrar seu equilíbrio que ainda não veio. O poder de afetação da imaturidade emocional ou psicológica é determinante. De tal forma que as empresas maduras em épocas de crises para demissão dão preferência aos profissionais com deficiência emocional, quando a demissão está em jogo.

Percebendo esse cenário existencial Viktor Frankl criou a logoterapia, e recentemente Tim Gallwey na mesma direção se dedica ao Coaching e outros imbuídos da mesma preocupação do eu na direção do outro. Para mim os dois tinham uma visão autotranscendente. Olhavam o que pouca gente consegue ver, tal qual Michelangelo ao esculpir a escultura de Davi. Ele primeiro transportava sua visão para a matéria bruta e nela visualizava a imagem da pessoa que iria esculpir, tirando apenas o excesso como respondia a quem perguntava como chegara a perfeição de tal obra.

Frankl tinha razão quando percebeu o caráter transcendente, além de si, do sentido da vida. Portanto, desejar crescer e ser grande sem se incomodar com os que estão diminuindo é uma ilusão. E não basta só querer ajudar. Deve-se ser capaz, extremamente competente, porém sem esperar a perfeição, porque esse dia não vai acontecer na vida de ninguém. Comece hoje. Faça o que você sabe de melhor, ou então outros farão em seu lugar, talvez não tão bem quanto você é capaz.

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