A celebração das diferenças e o perigo de julgar os outros

Imagine a cena: Você se prepara para fazer a apresentação de um projeto que desenvolveu ao longo de muito tempo. Esse trabalho lhe custou grande sacrifício e dedicação. Eis que na reunião de lançamento do seu projeto, após sua empolgante explicação, alguém diz: “Eu não concordo! Acho que não vai funcionar”

Imagine a cena: Você se prepara para fazer a apresentação de um projeto que desenvolveu ao longo de muito tempo. Esse trabalho lhe custou grande sacrifício e dedicação. Eis que na reunião de lançamento do seu projeto, após sua empolgante explicação, alguém diz: “Eu não concordo! Acho que não vai funcionar”.

Responda honestamente: Qual seria a sua reação?

Não é simples pensar dessa forma, mas tal situação é motivo de celebração. Considerando que a pessoa tem caráter e competência suficientes para entendermos que a discordância dela é alinhada a princípios, ter alguém com visões diferentes é imprescindível para chegarmos à sinergia.

Quanto mais pessoas enxergando de maneira contrária, maior a probabilidade de o projeto ser completo, pois, nem sempre, conseguimos sozinhos avaliar todos os riscos, falhas e oportunidades. Daí a importância de celebrar as diferenças.

Mas quais são as barreiras a essa valorização da diferenças e consequentemente à sinergia? As mais comuns são o medo, a reatividade, a insegurança, a necessidade de poder e o preconceito. Mas, sem dúvida, o maior de todos os impeditivos à celebração das diferenças é o julgamento.

Quantas vezes fazemos isso? A maior parte das pessoas tem o impulso de julgar os outros. Fazemos isso com naturalidade e de forma espontânea.

Um bom exemplo a ser estudado é o do diplomata, estadista, escritor e inventor Benjamim Franklin. Por volta de 1750, dedicando-se disciplinadamente ao seu auto-aprimoramento, decidiu que iria procurar o bem que havia nos outros, em vez de buscar os defeitos, além de tentar dizer apenas coisas gentis a respeito das pessoas.

Franklin relatou que essa mudança teve um efeito profundo sobre sua vida. Ele passou a olhar as outras pessoas de forma positiva, o que melhorou muito seus relacionamentos. Ele atribuiu grande parte de seu sucesso na carreira de diplomata a essas características.

Mas por que a maior parte das pessoas julga as outras? Todos nós somos muito centrados em nós mesmos. Projetamos nossos pensamentos e sentimentos na realidade externa e muitas vezes cometemos o erro de confundir a realidade com a percepção limitada que temos dela. Na maior parte das vezes criticamos os outros porque eles fazem as coisas de um jeito diferente do nosso. É como se quiséssemos dizer: “O que há de errado com você é que você não é como eu”.

Superar uma perspectiva excessivamente autocentrada e abandonar a visão estreita com que encaramos a vida é um sinal de verdadeiro crescimento e maturidade. Quando fazemos isso, começamos a valorizar mais plenamente os outros, sem julgamentos. Não importa se estamos falando de crenças religiosas, posições políticas, idade, raça, cultura, atividades de lazer ou estilos de vida.

Quando aprendemos a valorizar o que os outros têm de diferente e de singular, mais perto estaremos de desenvolver nossa própria reverência pela vida.

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