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A CAUSA FEMININA É CAUSA DA NOVA SOCIEDADE

Tradicionalmente, o Dia Internacional da Mulher é marcado por protestos contra a opressão a que ainda é submetido o “sexo frágil” e os obstáculos que travam seu acesso à educação, ao trabalho e à saúde.

Tradicionalmente, o Dia Internacional da Mulher é marcado por protestos contra a opressão a que ainda é submetido o sexo frágil e os obstáculos que travam seu acesso à educação, ao trabalho e à saúde. Os números apontam as mulheres como maiores vítimas do analfabetismo (são 60% de 880 milhões de analfabetos do planeta) e da violência cristalizada em tantos países por costumes religiosos e sociais. Neste cenário, o Brasil surge como oásis: as brasileiras representam 51% da população; ocupam mais de metade das funções no mercado de trabalho; e são maioria em quase todos os níveis de ensino, inclusive a pós-graduação. Nada mal. Então, temos, sim, o que comemorar. Contudo, mais ainda a denunciar.
Hoje, faço coro aos movimentos feministas que enumeram suas conquistas menos com o intuito de ganhar aplausos e mais a fim de encorajar as mulheres a se engajarem na luta por seus direitos. Afinal, se nossas mulheres são protegidas por uma legislação que prega a igualdade de raça e gênero e o Estado não é seu algoz, a própria sociedade se encarrega de oprimi-las: coisificando-as; pondo obstáculos à sua ascensão profissional; ou, em casos extremos (e comuns) tratando-as com violência explícita: uma em cada cinco brasileiras já sofreu alguma violência; quatro são espancadas a cada minuto; uma em cada três sofre abusos sexuais antes da maioridade e, entre 54 países, segundo a Sociedade Mundial de Vitimologia, lideramos a violência doméstica contra a mulher. Mais: 900 brasileiras, anualmente, engordam as redes internacionais de exploração sexual.

Os abusos não param aí. E falo em sentido mais amplo que agir contra a integridade física. A violência também está presente no dia a dia das nossas trabalhadoras, quando recebem remunerações inferiores a dos homens. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), a brasileira ganha 30% menos que o homem. Se for negra, pior. A pesquisa Retratos da Desigualdade, do Ipea, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) 2003, do IBGE, mostra que, se o rendimento médio do homem branco chega a R$ 881,11, da mulher negra chega a R$ 279,70.


Imensa parcela das trabalhadoras é subescolarizada e atua no emprego doméstico, que abrange 24% das negras e 14% das brancas. São seis milhões de domésticas (só 33% com carteira assinada).
A pesquisa Trajetória da Mulher na Educação Brasileira, do Instituto Nacional de Pesquisas e Estatísticas Educacionais, aponta um futuro melhor para as brasileiras. No ensino superior, a presença feminina cresceu e a diferença entre sexos (8,7% em 1996, a favor das mulheres), passou para 12,8%. Elas também aumentaram a presença no corpo docente das universidades: o número de docentes homens cresceu 67,9% de 1996 a 2003; o de mulheres, 102,2%. De 1998 a 2003, enquanto o percentual de mestres na educação superior cresceu 112,1%, o de mestres mulheres cresceu 119,4%. A Capes revela que mestrandas e doutorandas são maioria entre bolsistas (54%).


Mas, considerando o reduzido percentual de brasileiros no nível superior, estamos falando da minoria. Como são minoria mulheres na presidência das grandes empresas do país (2%, segundo pesquisa da Fundação Dom Cabral), em altos cargos da administração federal (17,5%) e na política (as eleições de 2004 só trouxeram cerca de 22% de candidatos do sexo feminino).

Mulheres em posições de decisão são exceção, mas seu papel é fundamental na formulação de políticas para o sexo feminino, pois dependemos dele para reduzir índices alarmantes de subdesenvolvimento. O Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) divulgou em 2005 relatório enfatizando a urgência de garantir a educação e os direitos da mulher. Entre outros dados, alerta que cada ano de educação materna reduz de 5% a 10% taxas de mortalidade infantil e três anos de estudo significam um filho a menos por mulher. Ou seja, elas são peças decisivas no sucesso de políticas de planejamento familiar e populacional.
De tudo, concluímos que, se a educação é requisito para o desenvolvimento, a educação que valorize o potencial das mulheres será imprescindível na sustentação dos valores que embasarão a sociedade auto-sustentável do século XXI, com um número menor de vítimas, e um número maior de cidadãos.


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