A CARREIRA DE "TRAINEE" E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Até que ponto o recém ou quase formado jovem entende convenientemente as dificuldades que deverá enfrentar nesse início de carreira. Por um lado ele sonha em conseguir ser aprovado nesses ditos concursos ou processos de seleção que, anualmente as grandes corporações disponibilizam, anunciando em pagina inteira nos jornais e revistas de grande circulação. A febre por aquela tão sonhada vaga aumenta à medida que o (a) candidato (a) efetua sua inscrição, se informa dos requisitos para o processo seletivo e compara-os com o seu currículo acadêmico. Durante o período estudantil esse jovem já pesquisou quais as melhores das melhores para se trabalhar dentre as cem ou quinhentas, já consultou a internet para certificar-se de que seu caminho é esse mesmo. Consultou colegas já empregados para assim fechar completamente o cerco de suas averiguações preliminares. Passado algum tempo e se aprovado no processo, acredita ter obtido dos Deuses do Olimpo o maior premio, comparável somente com a medalha de ouro olímpica. Temos a partir daí um cristão jogado as feras, que sonha em alguns anos estar exercendo a função de um gerente, diretor talvez, e por que não presidente da organização. Quantos CEOs, iniciaram sua carreira como estagiário depois trainee e hoje presidente, com polpudo salário, benefícios diferenciados, o famoso bônus e o mais importante PODER. E o sonho continua . . . Os caros leitores já perceberam que nas publicações das melhores para se trabalhar, somente são relatadas coisas boas? As agruras do dia a dia, o chefe mal humorado e maquiavélico, os erros, os esquemas, as contradições, colegas desleais, enfim, todas as dificuldades pertinentes ao ambiente empresarial ninguém conta! Outro fator que observamos é a fúria pelo poder, pela alta remuneração e pela carreira relâmpago de que é acometido o trainee, deixando de lado ou para segundo plano o aspecto central da sua contratação: o aprendizado O resultado de tudo isso é uma empresa que gastou os tubos com o processo seletivo, tem a esperança de contratar uma pessoa que fique na empresa, ou melhor faça uma carreira brilhante, uma vez que o escolhido é oriundo de uma universidade de primeira linha, e possui aqueles requisitos não tão comuns na maioria dos candidatos recrutados. Na outra ponta temos o dito trainee, amargando dias de frustração e desencanto porque no dia da integração só contaram os sucessos, coisas boas, e talvez inconscientemente esqueceram de falar dos problemas e que a sua carreira não será tão meteórica assim. Muitas empresas estão abolindo esses programas específicos de contratação de trainee, por essas mesmas razões. Descobriram que é mais vantajoso ter um estagiário fazer dele um trainee, pois na fase de estágio os valores são outros, tanto para a organização como para o estudante. Se o processo de trainee for redesenhado na sua estrutura, os especialistas entendem que a adaptação às coisas da empresa será mais fácil e os resultados mais produtivos. Espero que estejam certos, pois a mim também parece que esse é o caminho, uma vez que cultura, valores, missão, crenças e outros conceitos empresariais, não são assimilados da noite para o dia. Parabéns as organizações que estão revisando seus programas de estagiário/trainee, mas por favor: NÃO ESQUEÇA DE DIZER TODA A VERDADE. Sylvio José dos Santos Filho Consultor de recursos Humanos E-mail: sylviojsantos@ig.com.br
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