A busca: jornada sabática e o discurso de Nelson Mandela

“Nosso maior medo é descobrir que somos muito mais poderosos do que pensamos"

A busca de si mesmo e da felicidade são temas atemporais e comuns desde a filosofia antiga. Apesar disso, estamos constantemente na jornada em busca das nossas próprias respostas e na medida que aprendemos a fazer melhores perguntas, nos aproximamos de respostas mais consistentes e da essência do que acreditamos ser felicidade.

Sobre essa perspectiva e com o intuito de provocar uma reflexão sobre o assunto nos meus leitores, convidei uma amiga coach e empresária para um “bate papo”. Abaixo, segue o resultado desse inspirador depoimento no formato de entrevista:

Quem é Mariane do Carmo Costa?

M: Sou uma apaixonada por viagens, esportes de aventura e desenvolvimento humano e no coaching, encontrei uma maneira de promover a mudança na vida das pessoas ajudando-as a conquistarem sua viagem dos sonhos! Sou idealizadora e cofundadora do Clube do Coaching e do projeto Você Melhor Para o Mundo! (www.katubrasil.com.br), ainda, empresária do Átrio Business Center na cidade de Uberlândia/ MG. Mas a definição que mais gosto a respeito de mim é: “Cantora de chuveiro, ex-bolsista de dança de salão, trabalha com coaching de viagense e como todo mundo, sonha em se dar bem na vida fazendo aquilo que gosta!” (risos!). Bela definição, não acha? (risos!)

Em nossas conversas, você costuma falar muito sobre a sua infância, seus interesses por “expedições” e seu ímpeto pela liberdade. Como foi a sua infância e como isso despertou sua vontade por uma jornada de “descobertas de si” mesma?

M: Sim, minha infância foi muito divertida! Adorava brincar na rua e a minha era uma das mais movimentadas do bairro, não era raro ter mais de 30 crianças brincando no final de semana. Os vizinhos iam a loucura! Gostávamos de desenhar mapas e fazer “expedições” pela cidade, conhecendo cachoeiras e outros bairros. Desde criança sempre soube que não queria ter uma vida convencional com emprego convencional, marido, filhos... !

Gostava mesmo de adrenalina! Queria ver o mundo. Estar em todos os lugares, conhecer pessoas. Ter liberdade para ir e vir sem ter que dar satisfação. Além disso, queria ser dona do meu próprio negócio. Ainda lembro quando uma professoraminhaperguntou o “que queríamos ser quando crescêssemos” e na ocasião, claramente, veio em mente a imagem de um filme ondeo ‘funcionário fora chamado a sala do presidente da empresa, no topo de um arranha-céu e, ao chegar, havia um corredor enorme com a mesa da secretária no final. Entrando no gabinete, viu o chefe jogando golf em seu campinho particular. A sala tinha vista panorâmica para a cidade toda e, naquele momento, eu soube que era a sala que eu queria ter! Eu tinha 7 anos e claro que não sabia colocar aqueles sentimentos, sensações e imagens em palavras, então apenas respondi que queria ser médica, assim como os demais.

A medida que fui crescendo as coisas não foram acontecendo de maneira como gostaria. Não tive uma vida ruim, pelo contrário, trabalhava, tinha uma vida social agitada (bem mais do que a maioria das pessoas) e posso garantir que meus netos nunca se sentirão entediados em ouvir as histórias da avó aqui! (risos!) Mas chegou uma hora que tudo isso perdeu a graça. Comecei a me sentir perdida, vazia e a procurar alternativas de mudanças. A agonia de parecer viver uma vida que não era minha tomou conta de mim!

Você disse que teve um ano sabático. Como foi? O que procurava?

M:Em 2009 me vi completamente infeliz. Sabe o que é ter várias conquistas e admiração dos outros e mesmo assim se sentir infeliz? Pois é! Não gostava do meu curso, embora ainda amasse minha área. Não gostava do meu emprego, dos lugares em que frequentava, das pessoas com quem me relacionava e muito menos das perspectivas que via para meu futuro. Decidi que era hora de mudar!Queria poder mostrar quem eu era, desenvolver meu potencial e conquistar o que sonhava! Foi quando conheci o conceito de “ano Sabático”.

Diversas teorias sugerem que a vida seja dividida em ciclos e, ao final de cada um, é necessário um período de repouso.Adaptado do judaísmo, o ano sabático refere-se a um tempo de descanso da rotina antes do início de um novo ciclo. Ao contrário do que parece, não são férias prolongadas, é um ano de muito trabalho interno e transformação. Para obter melhor resultado a maioria aproveita para viajar e buscar retiros ou atividades que o obrigam a sair da zona de conforto.

Sendo estagiária em uma agência de intercâmbio, definitivamente não dispunha de capital para viajar o mundo como a maioria dos sabáticos fazem. Entretanto, sabia que podia mudar de áres mesmo sem sair da minha cidade. Formei-me, mudei de emprego, afastei-me dos “amigos” que não me levavam a lugar nenhum, matriculei-me na dança de salão, parei de freqüentar os bares e passei a ir bailes, não os de funk, mas os de salão mesmo (risos!). Ainda, me juntei a uma turma animada e bem disposta de rapel.

Em 1 ano, havia mudado da água para o vinho ao meu ver! Aos olhos dos outros, achavam que eu havia pirado! Para mim, essa mudança ainda não era suficiente! Comecei a buscar cursos de desenvolvimento humano e a correr atrás dos meus sonhos mais intensamente... o tempo passava e eu não queria desperdiçá-lo!

Quais foram suas descobertas ao longo dessa jornada? Poderia compartilhar para os meus leitores do Administradores.com?

M:Com a dança comecei enxergar meu corpo e seus movimentos como obras de arte. Percebi a importância de conhecer nossos limites e as maneiras de superá-los com respeito a nossa estrutura física e histórico de saúde. Também me livrei de preconceitos e estereótipos, o que me permitiu conhecer pessoas incríveis e freqüentar lugares que antes jamais pisaria. Com o pessoal do rapel passei a viajar bastante pelo Brasil nos finais de semana e feriados, a me “desconectar”, entre outros aprendizados que alimentaram meu ser. Com isso, consegui desenvolver diversas habilidades, entre elas, a comunicação e a empatia. Como normalmente ia sozinha, tive que aprender a lutar contra a timidez, a iniciar conversas, a pedir ajuda, a vencer o medo do desconhecido e, sobretudo, mais importante: confiar na minha intuição. Percebi que quanto mais sabemos sobre nós mesmos melhor é a comunicação entre corpo e mente. Já se deu conta que constantemente conversamos com nós mesmos mantendo diálogos internos? Desde então passei a pesquisar maneiras de me desenvolver cada vez mais no campo pessoal, profissional e no sentido humano.

Você é empresária e bem sucedida hoje, entretanto, você faz questão de citar a importância da felicidade. Assim sendo, para você, qual a relação entre felicidade e sucesso?

M:Quando estava escolhendo minha profissão, ouvi um conselho maravilhoso: “Você não precisa saber o que quer, basta saber o que não quer.” Não adianta escolher uma profissão apenas pelo retorno financeiro pois o sucesso depende da dedicação. Você nunca será bem sucedida se não amar aquilo que faz uma vez que nunca se dedicará o suficiente.”

Escolhi o turismo porque achei que poderia unir o útil ao agradável. E estava certa. Hoje, minha família tem uma empresa pioneira e inovadora na área de eventos na nossa cidade. O Átrio Business Center (www.atriobusiness.com.br) oferece toda a infraestrutura para reuniões e treinamentos e nasceu ao identificarmos a necessidade de um espaço dessa natureza em Uberlândia/MG. Esse é um tipo de negócio que exige muito devido ao dinamismo da atividade. Não é raro coordenarmos mais de 10 eventos ao mesmo tempo e chegar ao fim do dia e ver nossos clientes saindo satisfeitos! Esta satisfação para nós não tem preço!

Também, como já mencionei, sou Coach e idealizadora, juntamente com meu amigo Fábio Augusto da empresa Archeux (www.archeux.com.br), do Clube do Coaching (www.clubedocoaching.squarespace.com). Associação esta fundada por mim, pela Carminha Rezende e pelo Thiago Costa com a finalidade, de forma geral, de ajudar coaches que queiram se desenvolver na profissão e também, pessoas interessadas em passar por um processo de coaching. Basta se escrever lá.

Em dado momento, você comentou sobre o episódio onde um colega suicidou e o quanto isso se lhe impactou. Após esse episódio, qual a sua visão atual sobre a vida?

M:Perder alguém é algo sempre nos toca e infelizmente é inevitável. Esse episódio em especial aconteceu durante minha formação em Personal e Professional Coaching. Eraum rapaz que eu mal conhecia mas que eu via regularmente. O motivo do seu suicídio, descobrimos depois, foi o medo da reação da família ao descobrirem sua homossexualidade. Esse dia era o mais intenso do curso pois, era o dia agendado para expormos nossas dores e aflições.... e a notícia da morte do meu colega chegou a mim um pouco antes do meu depoimento perante a turma.

Lembro-me que aquilo me atingiu como uma bomba! Por mais insatisfações que tivesse em minha vida nada parecia tão forte a ponto de querer tirar minha própria vida. Como um flash, dei-me conta da importância do que estava estudando ali e da missão que tinha de difundir esse conhecimento. Esse rapaz passava por mim todos os dias e nunca imaginei o que se passava em sua cabeça e em seu coração, ele também nunca soube que conhecimentos eu tinha e se eu poderialhe ajudar de alguma forma. Dias depois, conheci a mãe dele e vendo seu sofrimento, não consegui parar de pensar que eles poderiam ter sido poupados dessa dor tão terrível se ele tivesse procurado orientação... ajuda... alguém para compartilhar suas aflições. Nossa vida é muito preciosa e devemos fazer tudo para preservá-la e no contato com o outro a jornada fica ainda mais agradável, amena.

Atualmente você atua como coach. Qual o seu nicho e como o escolheu?

M:Sou Coach de viagens. Escolhi esse nicho ao perceber que muitas pessoas se privam do sonho de viajar por medo de enfrentar o desconhecido. Quantas vezes escutamos amigos dizerem que se pudessem pegariam o carro e sairiam dirigindo por aí? Que gostariam de viajar o mundo, dar uma pausa do trabalho? E quando perguntamos por que não vão às respostas são sempre as mesmas: é caro! Não tenho tempo! Isso não é para mim! Não falo outra língua... e continuam sem fazer nada para mudar tal situação! Entra ano e sai ano as desculpas se repetem.

Durante o período em que trabalhei com intercâmbio, vi vários clientes desistirem dos seus sonhos por não suportarem a pressão de viver em outro país. Não é fácil se adaptar a uma nova rotina, uma nova língua e um novo clima. Uma viagem nunca sai exatamente como o planejado e os viajantes precisam estar preparados para lidar com imprevistos, com os desafios. Quando estamos preparados psicologicamente, emocionalmente e temos consciência de quem somos, tudo fica menos difícil.

Umas das lições mais importantes que aprendi sobre o sabbath é que não deve ser usado como fuga e tampouco como uma busca por nós mesmos. Ele é um intervalo utilizado para se conectar consigo. Antes de sair por aí a procura da felicidade, é preciso ter uma boa noção de quem somos. A felicidade não é igual para todos.

Vi muitas pessoas saírem em busca de si e voltarem mais perdidas do que foram, conheceram um mundo de possibilidades e não souberam qual delas agarrar. Se o seu perfil é mais caseiro não adianta comprar um pacote para um safari na África. Vai te tirar da zona de conforto? Sim. Vai te obrigar a crescer? Sim. Mas não vai te dar prazer e em pouco tempo sua vida retornará aquilo que era antes.Você não tirará grandes aprendizados da experiência porque aquilo não te trouxe a felicidade que esperava. O intuito é tirar a melhor lição de tudo aquilo que viverá. Isso só acontece quando estamos de mente aberta e coração tranqüilo. O coaching de viagens te ajuda a se encontrar, conhecer seu perfil, encontrar qual roteiro melhor se encaixa nesse perfil e garantir que tenha a melhor experiência da sua vida! A nossa jornada em busca de nós creio que seja uma constância em nossas vidas!

Quais são os principais dilemas dos estudantes que buscam intercâmbio?

M:Existe uma desordem emocional muito conhecida entre os agentes de viagens por Homesickness, em tradução livre, significa “saudades de casa”. Este sentimento acomete a maioria dos intercambistas em alguma fase do período que estão fora. Se sentem tristes ou deprimidos pela falta da família, dos amigos, enfim, e acabam abandonando ou encurtando o programa. Muitos estão viajando sozinhos pela primeira vez, outros agarram uma oportunidade no trabalho e abrem mão, temporariamente, da convivência do cônjuge e dos filhos, por exemplo. É uma grande ruptura no cotidiano! Já imaginou? Além disso, o medo de não se adaptarem, de não serem aceitos pela outra cultura (ou pela família que vão hospedá-los), de não gostarem e principalmente, da solidão, tiram o sono de muitos deles. O coaching ajuda a acabar com essas inseguranças e amenizar as angústias que antecedem uma grande empreitada como essa.

Se pudesse resumir sua filosofia de vida citando um pensador, qual seria esse frase?

M: Um trecho do discurso de posse de Nelson Mandela, escrito por Marianne Willamson:

“Nosso maior medo não é o de sermos incapazes. Nosso maior medo é descobrir que somos muito mais poderosos do que pensamos. É nossa luz e não nossas trevas, aquilo que mais nos assusta.

Vivemos nos perguntando: quem sou eu, que me julgo tão insignificante, para aceitar o desafio de ser brilhante, sedutora, talentosa, fabulosa?Na verdade, por que não?

Procurar ser medíocre não vai ajudar em nada o mundo ou os nossos filhos. Não existe nenhum mérito em diminuir nossos talentos, apenas para que os outros não se sintam inseguros ao nosso lado.

Nascemos para manifestar a glória de Deus – que está em todos, e não apenas em alguns eleitos. Quando tentamos mostrar esta glória, inconscientemente damos permissão para que nossos amigos possam também manifestá-la.

Quanto mais livres formos, mais livres tornamos aqueles que nos cercam”.

E para você, o que é felicidade e o que tem feito para ser feliz?

Agradeço a você, Mariane, pela atenção e por compartilhar parte da sua história e da sua jornada conosco! Espero que sua história inspire outras pessoas!

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