A bravura de Wendell: "o gol mais bonito do mundo em 2015”

A bravura de Wendell: "o gol mais bonito do mundo em 2015”: devemos apreciar essa “notícia, fato ou fenômeno" sob dois méritos: Qualquer "ato de bravura ou destreza" rende louvores (intrínseco) mas está sujeito a aceitação/superação (extrínseco)

Devemos apreciar essa “notícia, fato ou fenômeno" sob dois méritos: Qualquer "ato de bravura ou destreza" rende louvores (intrínseco) mas está sujeito a aceitação/superação (extrínseco).

No mundo atual, o da República Democrática, não há lugar para a "bravura ou destreza" como no mundo antigo ou medieval, onde um guerreiro num ato de bravura suscitava medo (ou respeito) em seus pares e só seria superado quando surgisse um mais bravo que o destituísse. Igualmente os artífices do ferro ou das palavras e das letras, sacerdotes, adivinhos, arautos, aedos, rapsodos, hábeis em alguma arte, poesia, rapsódia, trova, prosa, teatro, comédia, tragédia, teologia, filosofia, sofística, etc, sujeitavam-se ao escrutínio popular daquele mundo pequeno cujos nomes e epítetos queriam ecoar longe: Thales de Mileto, Agostinho de Hipona, Jesus de Nazaré, Zenão de Hileia, Alexandre "o Grande", Ivan "o Terrível", Jack "o Estripador". Só para citar alguns que saltaram daquele “lugar de origem” ou daqueles “Autos da Bravura” para o alto do mundo.

As Artes Clássicas (não é o mesmo que Belas Artes), incluíam Medicina e Direito. As Sete Artes Liberais dividiam-se em Trivium e Quadrivium, sendo: o Trivium: Gramática, Retórica e Dialética, estando a Lógica diluída nas três artes (para a maturidade interior). E o Quadrivium: Aritmética, Geometria, Música e Astronomia (para a maturidade exterior, ampliando a compreensão de si mesmo e das coisas, do mundo). A destreza não era moleza! Parece que antes de Darwin, o mundo já era darwinista: "Só os fortes (os mais ADAPTÁVEIS ao ambiente) sobreviviam". Só "os mais hábeis" sobrevivem!

Abrindo um parêntese, estive em Porto Seguro, 2003, e ouvi que na Bahia falar mal de ACM era risco de vida diante de simpatizantes. Nossa "bravura e destreza" está na "Arte da Fraude na Religião e na Política”, para começo de conversa. Fechando o parêntese.

O mundo mudou muito, o cientificismo forjou o Estado Regulador de tudo, da guerra à educação, e a espontaneidade da arte aguarda na antessala do gabinete da “Burocracia Empreguista”. A Ciência roubou a cena da Filosofia e da Religião, quase levando-as ao ocaso. E a Tecnologia Imagética, paulatinamente, vem transformando a todos em tolos. Nossa NEUROPLASTICIDADE, reprogramada, não quer “perder tempo” construindo imagens por nós mesmos. Numa sociedade massificada (como diria Gustave Le Bon), de seres impensantes, "planta-se" de tudo: notícia, mito, fato ou fenômeno... o novo. O sensacionalismo é a mola! "Eu sou EU e a minha circunstância, e se não a salvo, não salvo a mim mesmo!" (Ortega y Gasset).

No Brasil, passar em Concurso Público é “ato de destreza” e o “prestígio” rende bom salário e estabilidade, ainda que pouca ou nenhuma UTILIDADE se possa ter. E é um verdadeiro “ato de bravura” ser jogador de futebol, a despeito de pesquisa de importante Associação de Jogadores de Futebol, de 1999, garantindo que apenas 2% do oceano de jogadores de futebol do Brasil, ganhavam SALÁRIOS SUPERIORES ao correspondente hoje a 1,5 Salário Mínimo. Trágico ou cômico?

Será que Wendell tem em mente "a si mesmo e a sua circunstância" e em que contexto ambos se encontram? E o que dizem alguns dos "senhores da destreza nessa matéria": Ronaldinhos, Pelé, Zico, Maradona, Messi e Neymar? Só para citar alguns.

Afinal, teremos o epíteto Wendell "de Goiânia" ou Wendell "o Mágico"?

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