A arte de ajudar outras mulheres
A arte de ajudar outras mulheres

A arte de ajudar outras mulheres

Você é uma mulher que ajuda outras mulheres? Então você tem sororidade!

Muitas das coisas que sei, aprendi com mulheres que passaram em minha vida. Outras tantas, foi na prática mesmo.

Dentre as coisas que aprendi, existe uma que considero muito importante e se chama “sororidade”. Palavrinha estranha, mas que você deveria pensar mais sobre o que ela significa pois ao longo da vida somos criadas para implicitamente disputar e odiar outras mulheres, seja no trabalho, na balada ou até mesmo na rua e isso tem que mudar.

A primeira vez que ouvi a palavra sororidade, até achei graça. Foi em um artigo da minha querida amiga Priscilla de Sá. A cada frase, dizia mentalmente “eu tenho isso, eu tenho isso!”. Sim, sororidade minha querida, o poder que as mulheres têm de apoiar, ajudar e por que não dizer empoderar outras mulheres (confesso que ando meio pé atrás com o termo empoderamento, que apesar de banalizado, no final das contas é o que é: dar poder a outra pessoa).

Certa vez, participei de um programa de televisão para falar de mulheres que chegaram aos 40. Essa era a pauta. Quase caí do sofá quando fui pega de supetão ao ouvir a apresentadora criticar mulheres que usavam roupas justas ou curtas depois de certa idade. A coisa piorou quando ali, com a plaquinha “no ar” acesa, ela virou para mim e perguntou: Você concorda? Naquela hora me vi, com perdão do trocadilho, em uma tremenda saia justa! Como ter sororidade em uma hora dessas? Logo eu que pretendo ser uma quarentona, cinquentona e quiçá uma noventona “Prafrentex”.

E agora, o que eu faria? Concordava com ela ou dizia que não tem nada a ver pensar dessa forma?

Sorri pra ganhar tempo, enquanto mentalmente bolava um plano para sair daquela enrascada.

Adocei o comentário o máximo que pude e com muita sutileza respondi que uma mulher para ser realmente mulher tem que ser ela mesma e, nessa hora, tirei da cartola uma frase de Simone de Beauvoir e falei com o máximo de convicção que pude: “Não se nasce mulher, torna-se”. Ufa! Deu tudo certo e nem precisei criticar ninguém, apenas mostrar uma nova perspectiva.

E é exatamente isso que devemos fazer, precisamos ser mais “nós mesmas” e não aquelas que competem umas com as outras, que julgam, que recriminam e torcem o nariz para a mais nova estagiária (ok, confesso! Eu já fiz isso – me julguem… Nããão, espera aí!).

Sei que não é fácil deixar de olhar torto para a gostosa da academia, ou querer que aquela moça linda e inteligente evapore da face da Terra, ou pelo menos do seu adorável mundo cor de rosa. Mas, quando isso acontecer, pense que essas mulheres por quem você nutre um ódio secreto poderiam muito bem ser você.

Chega a ser um tanto nonsense odiar outra mulher simplesmente porque ela quer ser ela mesma ou o que os outros esperam que ela seja. Tanto faz, cada uma sabe de si.

O que precisamos mesmo é nos unir, dar a mão para outra mulher sem pedir nada em troca, chamar para um café, se colocar à disposição simplesmente porque você sabe que pode ser o conforto de alguém. Devemos baixar a guarda, deixar de lado o papel de gladiadora e parar de competir umas com as outras, nem tudo é batalha.

Quem sabe assim possamos construir um mundo melhor para nós e para outras mulheres sabendo que realmente teremos umas às outras para contar.

*Dedico esse texto a todas as mulheres que encontrei na vida, para as que ajudei e para as que de alguma forma não tive sororidade. Muitas vezes, guardei meus problemas no bolso e fui. Em outros casos a dor de ser quem se é me impediu de ajudar. A vocês em especial, se algum dia nos encontrarmos novamente, gostaria que pudéssemos caminhar juntas nessa jornada de crescimento, pois ainda sei que me faltam muitos passos para estar em harmonia comigo mesma e com o mundo ao meu redor.

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