A área de educação no Brasil dos últimos 15 anos

O Brasil vem investindo progressivamente na área de educação e já ganha destaque mundial. Investir em educação, sem dúvida, é o caminho a ser seguido em busca do progresso e o país vem se moldando e se polindo rumo ao atingimento de uma qualidade superior

Há diversos estudos que demonstram a baixa qualidade dos ensinos básico e regular no Brasil. Esse baixo nível de qualidade se deve à diversas variáveis que impactam negativamente no aprendizado e na geração de conhecimento. São professores mal preparados didática e digitalmente, com salários baixos e desmotivantes planos de carreiras, quando há algum; são estruturas físicas e tecnológicas precárias, como salas de aulas superlotadas, carteiras desconfortáveis, climatização ineficiente, rede elétrica exposta, banheiros sem assentos sanitários e torneiras quebradas, falta de materiais de expediente, computadores arcaicos e sem acesso à internet, etc; ainda, uma matriz curricular ultrapassada há mais de 40 anos e que não serve nem de longe para preparar o aluno atual para a vida social e para a vida profissional.

Em meio a tantos desafios, o país tenta corrigir seu percurso educacional através de incentivos diversos como bolsas de qualificação profissional contínua para docentes, investimentos em estruturas básicas de ensino e aumento no número de escolas técnicas, além de alguns incentivos à um plano de carreira mais estruturado e com um piso salarial mais atraente para os professores. Ainda vale destacar os diversos tipos de financiamentos estudantis para o acesso ao nível superior e bolsas integrais de estudos que cresceram geometricamente, pelo menos, nos últimos 10 anos. O ensino superior, neste caso, parece ter sido o modelo que mais se beneficiou e se desenvolveu devido aos aportes bilionários em financiamentos e subsídios por parte do Governo Federal à estudantes e instituições de ensino, estas últimas que cresceram num ritmo alucinante em termos de lucros.

De acordo com a publicação da OCDE intitulada education at a glance 2015, o Brasil vem investindo progressivamente na área de educação e já ganha destaque mundial. Conforme o documento apresentado, "da educação básica à superior, o Brasil investia 2,4% do produto interno bruto (PIB) em 2000, passando para 4,7% em 2012. Enquanto a média de investimentos dos outros países é de 3,7%. E a previsão para o Brasil é de chegar a 10% do PIB a partir da implementação do Plano Nacional da Educação (PNE) na próxima década" [1]. Investir em educação, sem dúvida, é o caminho a ser seguido em busca do progresso e o país vem se moldando e se polindo rumo ao atingimento de uma qualidade superior.

Embora esse movimento seja perceptível no tocante aos números apresentados publicamente por diversos meios de comunicação, é preciso se atentar ao fato de que indicadores de desempenho precisam ser melhor ajustados para que resultados melhores sejam alcançados de forma efetiva. Digo isto porque, ainda que os aportes financeiros para a área de educação tenham sido extremamente agressivos nos últimos anos, os lucros obtidos pelos grandes conglomerados de ensino foram muito maiores do que a contrapartida de um ensino mais qualificado. Ou seja, os lucros das instituições de ensino superior não refletiram em um aumento proporcional relativo à qualidade do ensino, da aprendizagem e da formação adequada do indivíduo para o mercado de trabalho e para a vida.

Outro ponto em discussão é relativo ao plano de implementar uma base comum curricular que é chamada de Base Nacional Comum Curricular e que já se encontra maturada na "Lei de Diretrizes e Bases da Educação e do Plano Nacional de Educação (PNE), que determina diretrizes, metas e estratégias para a política educacional dos próximos dez anos. Segundo o ministro da educação, Aloizio Mercadante, a Base vai significar que qualquer aluno, em qualquer estado, qualquer município, qualquer escola tenha o mesmo direito de aprendizagem, e se mudar de um estado para outro ele tenha o mesmo currículo” [2]. Não há dúvidas de que isso será importante para tornar a educação mais direcionada a um caráter universal de ensino/aprendizagem, pois, em certa medida, irá proporcionar a base necessária para permitir ao aluno desenvolver interesse nessa ou naquela área de estudo e daí este encontre o seu caminho para se desenvolver conforme seus próprios interesses.

Portanto, este é, para mim, o ponto central: uma base curricular abrangente e que seja suficientemente flexível para tornar possível um direcionamento adequado de aprendizagem para o aluno quando este já possuir os pré-requisitos necessários para poder discernir entre aquilo que deseja seguir aprendendo e desenvolvendo. Evidentemente que, para que isso seja possível, é necessário haver um planejamento responsável e orientado à ações, que seja permeado por um conjunto contínuo de indicadores que possibilitem medir as evoluções dos planos, confrontar resultados esperados e alcançados e tomar ações corretivas em casos de não-conformidades. Reformas estruturais, processuais e curriculares são necessárias. É um trabalho duro, mas que precisa ser feito com muita coragem e responsabilidade. A única forma de transformar a realidade é através da educação.

[1] MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Brasil está entre países com maior investimento em educação. Relatório da OCDE publicado em 24 de novembro de 2015. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=32241>. Acesso em: 28 de novembro de 2015.

[2] MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Base Nacional Comum é tema de exposição do ministro na Comissão de Educação da Câmara. Audiência Pública publicada em 24 de novembro de 2015. Disponível em: < http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=32291>. Acesso em: 28 de novembro de 2015.

ExibirMinimizar
aci baixe o app