A América dos Pequeninos

A emergência das cidades rurais norte-americanas como pólos de empreendedorismo e de fixação da «classe criativa»

Há uma América dos pequeninos economicamente emergente que renasce num novo espaço de urbanização do século XXI. São nomes de comunidades rurais que o leitor nunca ouviu falar, onde empreendedores lançam novos negócios, incluindo de alta tecnologia, e os projectam globalmente, colocando essas antigas localidades de moços de aldeia (classificação depreciativa) no mapa mundo.

Em contraste, cidades outrora emblemáticas do empreendedorismo e da fixação do que Richard Florida designou por «classe criativa», como São Francisco, perdem terreno. Esta constatação foi feita por Jack Schultz, um especialista em desenvolvimento imobiliário, que acabou de publicar Boomtown USA, um livro sobre o que o autor designa de «agurban», a nova tendência de urbanização.


Os louros da demografia e do emprego são óbvios: «Entre 2001 e 2004, 1/3 do emprego criado nos EUA surgiu em 397 agro-urbes. As 100 melhores aumentaram o emprego em 32% e a população em 28% entre 1990 e 2000 a média nacional é de apenas 14% e 13% respectivamente, uma diferença apreciável», afirma-nos Jack Schultz, ele próprio um empreendedor que ajudou a renascer a sua pequena cidade natal, Effingham, no Illinois, de pouco mais de 3000 famílias. Jack sublinha que, apesar de serem apenas 2% das cidades rurais dos EUA, estas comunidades «arrastam consigo uma nova onda optimista e protagonizam a terceira revolução das migrações, uma vez mais impulsionada pela tecnologia».

Esta terceira vaga foi provocada pela revolução da banda larga, do sem-fios e dos transportes rápidos (taxis-aéreos e ligações aéreas regionais de baixo custo nos EUA e combóio de alta velocidade na Europa). Depois da vaga de migração das aldeias para as cidades com a revolução industrial, depois da fuga das cidades para os subúrbios com a revolução do automóvel e do telefone, assiste-se, agora, a uma nova viragem: os empreendedores e quadros qualificados fogem das áreas metropolitanas e dos subúrbios para «procurarem qualidade de vida nas comunidades rurais, e acabarem com o estresse e a comutação diária», diz Schultz, num português correcto, derivado de sete anos como fazendeiro no Mato Grosso do Sul, no Brasil, nos anos 1980. «A pequenez deixou de contar. A questão da massa crítica urbana já não é tão importante como há 20 anos atrás», conclui Jack. Também, as multinacionais estão a descobrir esta tendência e os media de impacto mundial fazem eco ainda recentemente a Business Week publicou um relatório intitulado «Rescrevendo o Livro de Normas de Localização».

A nota negativa dada por Schultz aos espaços urbanos e suburbanos de «clusters» que estiveram em alta no final do século XX recebeu um novo aliado. Um estudo, agora divulgado, pela revista Entrepreneurship & Regional Development (Julho 2005), editada pela Routledge, revelava que «os centros tecnológicos metropolitanos dos EUA tiveram uma performance muito fraca durante o período pós-crash. Estas regiões tal como as de indústria tradicional, em épocas anteriores são muito vulneráveis aos ciclos económicos». Segundo os professores Ross Gittell e Jeffrey Sohl, autores do estudo, «os ciclos são particularmente pronunciados se as economias metropolitanas não forem suficientemente diversificadas e os custos do trabalho não forem moderados nas épocas de crise». «O capital de risco ainda por cima pode exagerar e não moderar os ciclos económicos regionais, como é visível entre os anos 1990 e a recessão de 2001», concluem os dois professores na Whittemore School of Business and Economics da Universidade de New Hampshire






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