A administração pública brasileira frente aos novos paradigmas

O texto apresenta um breve ensaio sobre os novos paradigmas que a gestão pública brasileira passa a adotar e de como esses processos ainda recebem resistência do modelo burocrático de gestão.

A administração pública brasileira vive momentos de redescobrimento da sua função administrativa. Geralmente pautada por aspectos que indicam ainda uma eminente força do movimento burocrático Weberiano e de suas disfunções latentes, a gestão publica, passa, por um período que quebra de paradigmas.

Expressões antes vistas apenas na administração de empresas ganham cada vez mais destaque na gestão pública. Planejamento estratégico, gestão orientada por resultados, indicadores de satisfação e qualidade, gestão participativa, integração de informações gerenciais pelo uso da TI, análise de ambiente, elaboração de projetos e parcerias, para citar apenas alguns aspectos de uma lista extensa, estão fazendo parte da ação do Estado. Para se ter uma idéia da dimensão que essa mudança de paradigma está fazendo na administração pública, nos dias atuais, a fiscalização dos recursos direcionados para todos os municípios ou estados da federação são acompanhados em tempo real, via internet.

A dinâmica que envolvia as antigas organizações burocráticas, lentas e introspectivas, perde cada vez mais espaço para as administrações modernas, capazes de gerar informações e de articular rapidamente sua estrutura para atender às demandas do seu público-alvo. Trata-se de uma redescoberta da função gestora da administração pública, denominada pela teoria como administração gerencial, que passa a agir segundo os conceitos funcionais da administração de empresas.

Por outro lado, essa redescoberta se restringe à forma da administração e não ao seu objeto. Por isso podemos afirmar que isso não tira o caráter público da coisa pública. Enquanto administração de empresas trabalha para atender os princípios de mercado e de lucro, a gestão pública se envolve com os interesses públicos.

Reconhecemos também que, como toda mudança de paradigma, ela se dá de forma gradual e com a presença da resistência por parte de alguns gestores públicos, que vêem a administração como se ainda estivessem em tempos passados, que esperam que as correspondências cheguem pelo correio, à tempo e em tempo do desenvolvimento. Ora, o desenvolvimento é dinâmico e requer uma administração dinâmica.

Compreender essa nova dinâmica é um passo relevante para a modernização da gestão pública frente aos novos paradigmas. Isso requer, necessariamente, a articulação de esforços para expandir os horizontes conceituais dos gestores e da máquina administrativa e, dessa forma, combater as forças burocráticas internas que ainda emperram o processo de mudança.

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