3 lendas que podem estar destruindo sua vida pessoal e profissional

Fuja das mitologias que lhe cercam para que sua carreira e transição pessoal não sejam duplamente comprometidas por um alegórico ninho de abjetas tapeações

Quando nascemos, somos bombardeados por muitas informações que nos são apresentadas como verdades absolutas, ou seja, como regras imutáveis e colossalmente inquestionáveis. Dessarte, crescemos dentro dessa base e nos tornamos parte dela sem ao menos pararmos para fazer uma analise e comprovar (ou não) a veracidade límpida dessas informações.

Com isso, os cavaleiros mascarados deitam e rolam: espalhando seus engodos e posteriormente fazendo toda a sociedade néscia crer e acatar fielmente suas monstruosas jurisdições. Pode parecer coisa de investigador hollywoodiano, contudo, é exatamente assim que nascem as heresias e doutrinas demagógicas do nosso planeta.

Em razão dessas variáveis, desde muito cedo me apaixonei pela filosofia e suas maravilhosas ramificações, dado que ela expande os nossos horizontes e nos faz pensar com lucidez e total sagacidade.

Entrando no cometa dos negócios, vejo que essas miragens também tem poder de nos ludibriar nesse campo, fazendo nossas escolhas serem as nossas maiores atmosferas a serem gerenciadas e controladas. Quando li alguns pensamentos de Drucker há alguns anos atrás, a primeira coisa que aprendi foi a malícia corporativa, ou melhor, a astúcia que todo administrador obrigatoriamente deve ter para apalpar os fantasmas mercadológicos e estrategicamente sufocá-los - como um mecanismo de defesa pessoal -.

Logicamente, múltiplas são as teatralidades presentes em nossa teia social e para nos livrarmos desses enfadonhos imbróglios é necessário muita cautela, tenacidade, inteligência e espírito visionário. Quem não contar com essas esplêndidas qualidades terá muitas dificuldades no fluxo atual, esmorecendo mediocremente pela falta de preparo de suas ações e, principalmente, pelas pueris deficiências de seus embaraçados discernimentos.

Por conseguinte, resolvi descortinar três mitos que estão alocados em nosso meio, de forma a não sermos enganados por eles por intermédio de inclinações táticas e tipicamente arguciosas. Veja:

1 - A lenda dos diplomas na parede

É curioso que as pessoas aceitem receber diplomas e certificações sem terem de fato o conhecimento e a ciência que tais documentos prometem fornecer. Essa triste constatação é a mesma que ouvi de um inteligentíssimo professor há alguns anos atrás, quando o bem humorado mestre sabiamente me disse: as escolas fingem que ensinam e os alunos fingem que estudam, sendo que esses dois destroem um ao outro e se regozijam puritanamente por isso.

Claro que ele estava certo: teoria sem aplicação vira bolha de sabão, pois aquilo que o estudante assimila nas aulas precisa ter alguma aplicabilidade em seu cotidiano para que essa parafernália toda tenha algum sentido e posteriormente ganhe uma forma plausível.

Relâmpagos permeiem minhas pupilas: se o que acontece na sala de aula se restringe a apenas esse núcleo (limitado e frágil) não há motivos para continuarmos, visto que será tão somente um amontoado de lições criadas para fazer o receptor ter ciência de algumas informações - e não para fazer com que ele otimize sua orbe pessoal/profissional com a execução das referidas instruções (como deveria ser).

Ás vezes, fico pensativo quando me perguntam onde estudei ou estudo, ao invés de me perguntarem o que eu aprendi ou tenho aprendido nas instituições que frequento (ou frequentei). Só por essa concatenação, dá para perceber que o que interessa são as condecorações coladas na minha blusa e não o que proporcionou a pregação dessas importantes gratulações. Em outros termos, é como se eu comprasse uma TV só porque o vendedor me convenceu que ela era a melhor opção da loja, isto é, eu faria a supracitada aquisição sem olhar suas especificações técnicas, suas condições de garantia, sua imagem refletida na tela, suas vantagens e desvantagens, seus valores e assertividades se comparada às demais, bem como suas propriedades de curto, médio e longo prazo, enfim sem verificar absolutamente nada, realizando uma compra apenas com embasamento de uma exteriorização feita por um sujeito que propagou uma mera e trivial mensagem.

Perdoem-me pela analogia, mas quem age sob esses preceitos vive correndo atrás de “peidos descontrolados”, inalando essas toxinas até vomitar pelo cérebro, porque me explique essa estrambólica anomalia: como um ser humano, feito a imagem e semelhança de Deus, pode aceitar que a burrice o domine tão soberanamente a ponto dele trocar o titânico poder de pensar pela ínfima fraqueza do agir? Seguramente, isso não tem nexo, fundamento e coerência nenhuma.

Por conseguinte, é imprescindível interpretarmos nossa aura constantemente para que a nossa energia interior seja guarnecida de movimentos virtuosos e piamente versados, evitando que tais idiotices cerquem as nossas casas e transformem os nossos formosos jardins em mórbidos carrosséis de palermice e imbecilização.

2 - A lenda da alegria gerada por amizades fictícias e superficiais

O brasileiro é inseguro e teme demasiadamente a rejeição. Aceite: a carência da nação verde, amarela, azul e branca é ridiculamente infantil e sempre atrasa o desenvolvimento das gloriosas entidades que aqui habitam. Decerto, uma das questões que mais contribuem para esse decréscimo intelectual é a amizade criada por acaso (ao vento), pois ela é inacreditavelmente praticada sem motivos verdadeiramente plausíveis, fazendo muitas criaturas se unirem por razões torpes que destronam suas santas liberdades e suas imaculadas personalidades. Em outros termos, por amarem exageradamente seus “companheiros”, muitos ‘patriotas sociais’ se perdem e barganham suas causas morais, seus ideais éticos e até mesmo, seus princípios áureos por um punhadinho medíocre de momentos afetuosos, transformando seus propósitos existenciais em atmosferas lúdicas e relativizadas por apreciarem essas endiabradas e embasbacadas tolices.

Nietzsche astutamente propagou: “Odeio quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeira companhia.” Sem dúvidas, o alemão de letras garbosas quis nos provar o seguinte: um genuíno parceiro é aquele que ostenta as mesmas crenças e traços da nossa alma, isto é, é um indivíduo que por excelência despreza e admira analogicamente nossas peculiares e entranhadas idealizações.

Me lembro de um jovem extremamente promissor que ascendeu e realizou feitos extraordinários em um curtíssimo espaço de tempo. De forma resumida, o rapaz tinha uma formidável capacidade de ajuntar elementos e organizá-los - como um distinto SEO de alta performance -, de sorte que essas habilidades tornavam coisas complexas em fatos incrivelmente simples, ao ponto de dirimir vários problemas em tempo recorde ao mesmo momento em que divertia inacreditavelmente seu executor (humilhante para reles mortais, concorda?).

Contudo, esse gênio se deixava levar facilmente pelo apego que possuía pelas pessoas. Ele perdia seu eixo mor por querer abraçar o mundo inteiro. Lamentavelmente, essa fraqueza afetava consideravelmente suas aptidões e o colocava em uma posição inerte diante da sociedade – mesmo sendo ele infinitamente talentoso -. Deste modo, ele tinha uma Ferrari, mas preferia andar de carroça, sofrendo propositalmente ao trocar suas avançadas técnicas (inteligência) por uma pífia porçãozinha de cafunés (companheirismo).

Semelhantemente ao insipiente e lerdaço garoto, várias criaturas acabam suprimindo seus sonhos por nadarem em uma pútrida lagoa de fantasias, desmoronando seus imponentes castelos por escolherem um MOMENTO em detrimento de uma CAUSA. Em uma passagem bíblica do novo testamento, Jesus Cristo desafiou a multidão que o seguia dizendo que para filtrarem sua doutrina era necessariamente obrigatório que abrissem mão de todos os laços fraternais criados – inclusive os familiares – e perfilhassem o duradouro trajeto da solidão. Assim, o príncipe da esperança defendeu que seus tutelados deveriam se desvencilhar dessas tradicionais teias para alcançarem um grau mais elevado, otimizando suas embaraçadas visões por intermédio desse poderoso desprendimento.

Dentro dessa nobre essência externada pelo cavaleiro de Israel está o segredo dos segredos, tendo em conta que é impossível ser honesto, espontâneo e sincero bajulando as pessoas e/ou sendo bajulado por elas. Costumo dividir com meus amigos que um adulador fiel é um animal fétido que tem como alvo mor apalpar o peito dos outros (com massagens) sem nenhum tipo de critério. Ora, o que as pessoas precisam reconhecer e valorizar é a VERDADE dos fatos para ganharem uma vida orginalmente sólida e não a MENTIRA de serem politicamente corretas para ganharem uma existência superficialmente porosa. Não foi atoa que Platão lindamente afirmou: “Onde não há igualdade, a amizade não perdura."

Que possamos absorver essa racionalização, fazendo nossas consciências serem dotadas de pensamentos grandes, separados completamente dessas atmosferas ínfimas, estultas, débeis e apequenadas.

3 - A lenda da felicidade empreendedora

O mercado é um monstro que não descansa e a cada dia fica mais complexo conciliar estudos, trabalho, família, projetos, lazer e eventos espirituais. Falo por experiência própria: o desgaste que tenho encontrado nos últimos anos é terrivelmente grande e por inúmeras vezes tenho “que puxar o freio” para cuidar de minha saúde física e mental.

Acredite: estresses contínuos, problemas acumulados, escassez de tempo, cobranças internas e externas fazem o homem contemporâneo viver sufocado por suas ações, oprimido fortemente por uma energia gerada por uma sociedade maluca e insensata. Usando outra forma de explicar, a estupidez humana é tão expressiva que nós, seres inteligentes, acabamos nos emburrecendo e nos tornando ironicamente os nossos maiores inimigos.

À vista disso, por numerosas ocasiões temos vontade de desaparecer do mapa, de dar uma resposta mal criada para os outros, de desafogar nossas mágoas no álcool e de devorar todos os alimentos que nos fazem mal, porque tentamos desesperadamente extravasar pelo lado de fora aquilo que corrói o nosso lúgubre e desditoso interior. Destarte, andamos cada vez mais ansiosos, inseguros, angustiados e entristecidos, porquanto a perniciosidade brotou dentro da essência e queremos removê-la (erroneamente) através da casca que a abriga.

Darei um exemplo simples ao extremo para desmistificar essa situação: estamos na era do empreendedorismo e como essa variável está em profunda ascensão existe uma comoção quase unanima de querer implantar na mente das pessoas a seguinte idealização: quem não é empreendedor é, por definição, um fracassado. Oh raios, quem desenhou essa pífia ilusão? Então quer dizer que só serão bem sucedidas aquelas pessoas que amarem a prosperidade e a atividade profissional independente vinculada ao “inoxidável” sistema capitalista? É esse o portentoso truque?

Sendo mui benevolente e longânimo, vejo essa ideia como uma afronta a sabedoria e a perspicácia terrestre, visto que invalida todas as outras formas de construção de realidade. Pense você como ficariam Jesus Cristo, Mahatma Gandhi, Sócrates, Voltaire, Soren Kierkegaard, Erasmo de Roterdã, Jorge Luis Borges, Platão, Paulo de Tarso, Tales de Mileto, Santo Agostinho, Tomas de Aquino, Arquimedes, Santo Anselmo, William de Ockham, Nicolau de Cusa, José do Egito, Arquitas de Tarento, Paracelso e tantos outros notáveis seres que tanto contribuíram para a evolução do cosmos se eles fossem obrigados a usarem seus intelectos somente para alçarem alguns tesouros materiais e posteriormente se vangloriarem disso! Certamente, essa seria uma tragédia ímpar para o universo, pois nos tornaríamos reféns de um sistema egoísta, mesquinho e tipicamente alienador.

Evidentemente, vivemos em uma época onde o dinheiro tem muita força e concordo que devemos busca-lo, porém com a prudência e a resiliência de ceifarmos essas coisas (vitória financeira) sem ocultar aquelas (vitória existencial). Em outras palavras, suas convicções, princípios, valores e ideais são infinitamente superiores ao que o mundo mágico do empreendedorismo pode lhe proporcionar e mais ainda do que isso: poder e autoridade são coisas antagônicas e naturalmente desconectadas.

Os sete parágrafos externados até agora querem dizer só uma coisa: uma profissão digna e honrada é a que permite que um ser seja sincero consigo mesmo para que a verdade seja a mola impulsora de suas atitudes, gestos e inclinações, pois assim agindo, a formidável vida de tal criatura será bem mais do que os “poderosos” e “invejáveis” dólares podem comprar, sendo uma preciosíssima esfera de riquezas absolutamente incomerciáveis e um baú sui generis de riquezas completamente imensuráveis.

Antigamente, quem caía nessas utopias do destino era chamado de tolo, parvo e bronco, porquanto acabava sendo fisgado por um oásis de mentiras e embromações gerado pelas migalhas contidas no próprio bolso. Na realidade, sempre existiram muitas fantasias em nosso reino e muitos cidadãos ao longo dos tempos caíram nessas venenosas arapucas do diabo.

Isto posto, que saibamos ficar de “vigília” para não sermos levados por essas maliciosas ventanias que insistem em nos envolver e nos arrastar para as macabras profundezas do oceano sem fim.

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