2015: como as crises afetam as pessoas?
2015: como as crises afetam as pessoas?

2015: como as crises afetam as pessoas?

Em momentos de crise as pessoas ficam vulneráveis e as más decisões podem acontecer com mais frequência. O governo diz que a crise não é tão grave e o mercado acena com muita cautela e mesmo medo entre as pessoas. Como a crise afeta você?

A crise econômica que assola o mundo teve efeitos de ciclone nos EUA e balançou a Europa. No Brasil o fenômeno está se agravando. O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que havia um pânico geral nos mercados e que isso pode se transformar num efeito de manada. Seu sucessor, Joaquim Levy, está tentando conter o estouro da boiada.

O que se tem noticiado sobre essa crise diz respeito a bancos que se fundem ou se afundam quebrados, bolsas em queda livre, empresas que perdem, da noite para o dia, grande parte de seu valor, governos abrindo os cofres para socorrer seus mercados da iminente desordem, crédito escasso, criatividade contábil, aumento de impostos etc. Mas, afinal, quem faz tudo isso acontecer? Como as crises afetam as pessoas? Como afetarão você?

Você comprou ações da Petrobras?

Quem aplicou suas economias na bolsa, especificamente nas ações da Petrobras, agora não dorme e vive à beira de um ataque de nervos. Diante do pânico, do qual falou Mantega, essas pessoas não sofrem de problemas de mercado, mas sim de seus próprios problemas comportamentais. Isso é, de certa forma, normal. Isso demonstra como as crises afetam as pessoas.

Nossas memórias, nossas decisões

Seres humanos como eu e você, que sentimos emoções e alimentamos sonhos e ambições de dias melhores para curtir a vida, tomamos decisões com base em nossas experiências internas, que por sua vez são afetadas pelas sinalizações do ambiente. Crises e pessoas são indicativos importantes que definem como uma afeta a outra.

Governos, bancos, bolsas e empresas são organizações criadas e geridas por pessoas. Um banco, um governo, uma empresa ou uma bolsa não tem emoção, nem entra em pânico. Mas seus gestores sim. Daí que o mercado pode sentir e gerar pânico, bem como demandar em manada para vender ou para comprar determinados títulos. Alguns ganham e muitos perdem nesse movimento. Até aí nada de excepcional. Somente modelos diferentes de como as crises afetam as pessoas.

Como as crises afetam as pessoas, perdedoras e ganhadoras

A excepcionalidade está no elemento que separa uns dos outros, perdedores e ganhadores: o ponto de equilíbrio ou, como diria Darwin, capacidade adaptativa. Esse ponto de equilíbrio nem sempre pertence àquele que detém o maior conhecimento sobre mercados. Se fosse assim os analistas financeiros eram tão ricos que não precisariam fazer análises para ganhar a vida.

Crises e decisões corporativas

Uma pessoa afetada emocionalmente pode fazer parte da manada e correr em estouro para o despenhadeiro ou mesmo ser pisoteada no trajeto, vítima de seu próprio desespero. O conhecimento e a informação são subordinados às emoções e estas permitem que se aplique aqueles na construção de resultados. Perder é um resultado, tanto quanto ganhar o é. A diferença entre os dois resultados pode ser vista de duas maneiras: no rosto das pessoas, o que é mais visível, ou em suas contas bancárias.

A diferença entre o ganhar e perder é um excelente modo de percebermos o quanto são importantes as pessoas dentro das organizações. Um comportamento destrutivo ou desequilibrado de um ou de uns pode colocar em risco a vida de muitos. O pânico de um investidor pode estar em perder o seu capital, mas as consequências de tudo isso pode representar o medo de milhares de pessoas diante da iminente perda de seus empregos. O efeito cascata que pode ocorrer e levar o mundo a uma recessão é fruto de emoções negativas cujo fim poderá ser uma depressão global. O Brasil está em recessão técnica.

Como as crises afetam as pessoas e as pessoas afetam as organizações

As crises afetam as pessoas e estas afetam as organizações. O que significa que para se ter uma organização equilibrada faz-se necessário que se tenham pessoas equilibradas emocional e, claro, racionalmente. Uma boa forma de investimento é consolidar esforços que fortaleçam sua capacidade emocional e lhe permitam continuar firme, mesmo em ambientes nervosos, como um mercado à beira do pânico. Como e quanto você é afetado pelas crises depende de como é o seu modelo de relacionamento com as crises.

O ex-ministro Mantega sempre disse que tudo estava sob controle. Estava? Pergunte ao Levy.

Qual o impacto das crises sobre você?

Risco é uma situação inerente à vida. Querendo ou não, você está sob a influência de vários riscos, constantemente. A capacidade de lidar com o risco define e particulariza a maneira como as crises afetam as pessoas, como afetam você. Há três formas de reação ao risco: Aversão; Atração e Neutralidade.

Aversão

São pessoas que preferem o porto seguro, mas não somente em relação ao dinheiro. Elas, normalmente, adotam a estratégia de que mais vale a pata de um pássaro na mão do que o pássaro inteiro voando e estendem isso aos vários níveis de suas vidas, como emprego, relacionamentos etc.

Atração

São pessoas movidas a adrenalina. Gostam do risco pelo risco e não pelo resultado propriamente dito. Empreendedores que se lançam em negócios, fecham um e abrem outro, pessoas que tomam decisões de maneira arrojada, dirigem como se fossem competidores etc.

Neutralidade

Este é o ponto de equilíbrio e palavra neutralidade não é muito adequada para definir o comportamento. Pessoas que agem de forma equilibrada diante do risco conseguem maior resultado, pois tomam as decisões de maneira sensata e, na maioria das vezes, conseguem uma leitura mais realista dos cenários.

Modelo mental e Risco

Modelo mental é a soma de todas as nossas experiências, crenças, valores e temores. Portanto, ao se ver num ambiente de risco essas memórias são disparadas e contaminam, positiva ou negativamente, as decisões. Mudar o ambiente é uma tarefa praticamente impossível. Enriquecer o modelo mental é plausível e, assim, as crises terão menos poder sobre você, e, quem sabe, usando o mantra do ex-ministro Mantega de que tudo está sob controle, seja possível transformar crise em oportunidade.

Que o segundo semestre de 2015 seja mais produtivo, mesmo que a crise aumente o ar de sua falta de graça.

Este artigo foi originalmente publicado no site do IBGA - Instituto Brasileiro de Gestão Avançada

ExibirMinimizar
aci institute 15 anos compartilhando conhecimento