A venda de passagens aéreas internacionais no segmento corporativo cresceu 8,9% no primeiro semestre deste ano, de acordo com levantamento do Favecc (Fórum das Agências de Viagens Especializadas em Contas Comerciais), divulgado na quarta-feira (30).
As agências emitiram 431,1 mil bilhetes, contra 385,5 mil em igual período do ano passado. No caso dos destinos domésticos, houve redução de 10%, já que o número de bilhetes recuou 2,2 milhões, no primeiro semestre de 2007, para 2,1 milhões.
O desempenho, segundo a pesquisa, foi insuficiente para garantir a rentabilidade do setor de viagens corporativas, cujo crescimento ficou limitado a 11,1%. "Este foi um semestre fortemente influenciado pela desvalorização do dólar", avalia o presidente da entidade, Mauro Schwartzmann.
Crise cambial prejudicou desempenho
Durante coletiva de imprensa, ele disse que a receita auferida no semestre, de R$ 2,308 bilhões, contra R$ 2,075 bilhões, poderia ter sido muito maior, não fosse a crise cambial.
Mas, segundo Schwartzmann, pior do que a desvalorização do dólar é a falta de política capaz de recuperar a infra-estrutura - portuária e de transportes, aéreo, rodoviário e ferroviário.
"O sucateamento, que se perpetua pela postergação das obras, gera distorções no sistema de atendimento e atrapalha o crescimento do setor. Não se iludam. A crise nos aeroportos só diminuiu um pouco. Mas está longe de passar. E, se chegarmos à Copa de 2014 com a estrutura de hoje, será uma tragédia".
O presidente do Favecc disse ainda que, apesar da gravidade da situação, não sente, de parte da Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária) e da Anac (Agência Nacional de Aviação Comercial) qualquer tipo de iniciativa para que se possa superá-la. "Pelo contrário, são reuniões e reuniões que não levam a nada. Somente promessas que jamais se cumprem", lamentou.
Responsabilidade das agências sobre acidentes
O presidente do Favecc reafirmou a posição da entidade, de total apoio ao projeto de lei de autoria do deputado Alex Canziani (PTB-PR), que isenta as agências de viagens de responsabilidade, no caso de acidentes e incidentes com aviões e aeroportos.
"A maioria das micro e pequenas empresas do setor está lutando para manter a rentabilidade e não pode pagar por aquilo que não tem culpa, simplesmente porque não tem como controlar. O máximo que nos cabe é sensibilizar os nossos parceiros de negócios para que atendam os nossos clientes", finalizou.