Nelson Lima

17 de agosto de 2008

Por que falo do cérebro

Me perguntaram por que é que eu, num portal de Administração, estou dando destaque a temas relacionados com o cérebro ou com a mente. Aqui estou a responder.

Primeiro: administrar, gerir, liderar ou chefiar é, basicamente, uma atividade mental. Logo, é condição necessária para um bom desempenho termos uma mente saudável e otimizada para as coisas correrem pelo melhor (com inteligência, capacidade criativa, espírito empreendedor, excelente memória, flexibilidade mental, etc,. etc.). 

Segundo: nos tempos atuais é bom que tenhamos consciência que o nosso desempenho depende não apenas de nossos saberes, talento e experiência mas também da capacidade em melhorarmos cada vez mais as nossas potencialidades (temos, por vezes, recursos que ignoramos ou não sabemos usar).

Terceiro: vivemos na Sociedade da Informação, do Conhecimento e da Inteligência. O capital inteletual é hoje e cada vez mais o mais decisivo e o mais valioso. Ora isso começa em nossas cabeças (ou seja, no complexo sistema cérebro-mente).

Quarto: nas escolas, nas universidades e nos centros de treinamento tradicionais não se aprende a otimizar a inteligência e seus "anexos" (memória, concentração, criatividade, senso crítico, etc.). Por isso, novas disciplinas como o Mental Fitness, a Otimização Cerebral, a Neuróbica, o Enriquecimento Cognitivo, a Inteligência Executiva e outras começam a estar na ordem do dia. 

Quinto: a confirmar a importância disto vejam os temas dos livros mais badalados da atualidade (Risk Intelligence, The Extreme Future, Re-imagine, Egonomics, Five Minds For the Future, etc, etc.).

Ou seja (e em conclusão): necessitamos apurar nossas capacidades mentais para que o Capital Intelectual aumente nas empresas e nas nações. Para bem de todos e de cada um de nós! Certo?
Enviado por Nelson Lima às 14:21
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Nosso cérebro primitivo

Para os psicólogos evolucionistas a mente resulta de um conjunto de modificações psicológicas ou mecanismos psicológicos desenvolvidos ao longo da evolução humana e que têm favorecido a sobrevivência e a reprodução da nossa espécie. 

Recentemente, a revista Science et Vie publicou um excelente trabalho sobre nossa capacidade de adequação ao mundo atual - um mundo que tem sido profundamente marcado por sucessivas vagas de transformações técnicas, sociais e culturais.

O estudo - que envolveu uma ronda por uma série de centros de investigação e reputados cientistas - alerta para o fato de nosso cérebro estar, afinal, mal preparado para o futuro. Eles apontam os comportamentos violentos e os medos irracionais como alguns dos exemplos mais representativos das pré-disposições formatadas durante a pré-história em nosso cérebro e que ainda se conservam de forma muito marcada.
 
Muitos dos nossos comportamentos de risco, medos, agressividade e outros que muitas vezes classificamos de "primitivos" e desajustados das sociedades ditas evoluídas não diferem daqueles que os nossos longínquos antepassados desenvolveram para serem capazes de sobreviver num mundo hostil e desconhecido. Nossa inteligência emocional ainda é muito frágil e somos ainda muito egoistas e demasiadas vezes hostis (fazemos guerras e matamos gente por questões territoriais, riquezas materiais, ódios, intrigas, etc.).

Na verdade, o cérebro humano está mais preparado para resolver problemas idênticos aos que se colocavam aos homens pré-históricos do que outros mais próprios da civilização social e tecnologicamente avançada de hoje e do futuro próximo. 

Digo isto porque, embora o desenvolvimento sociocultural tenha acelerado nos últimos 150 anos, o cérebro humano não acompanhou essa evolução pois está praticamente igual ao dos hominídeos que viveram há milhões de anos. A mente evoluiu mas pouquinho.

Segundo os cientistas que trabalham em Psicologia Evolucionista, nosso cérebro evolui lentamente sendo necessários entre 20 mil e 200 mil anos para adquirir caraterísticas biológicas novas provocadas pela pressão do meio. 

Então nosso cérebro é igual ao dos nossos antepassados de há 200 mil anos ou mais? Pode-se dizer que sim. Vai evoluir? Certamente. Quando vamos sentir diferenças acentuadas? Apenas nossos descententes,daqui por uns 20 mil anos ou mais...
Enviado por Nelson Lima às 11:55
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15 de agosto de 2008

Nossos múltiplos universos mentais!

A propósito do meu artigo sobre o talento enriquecido, colocado em outra página, me perguntaram sobre o que eu queria dizer com os 9 níveis de consciência. Lembrei-me que já tinha escrito sobre isso e repesquei este pequeno texto que dá uma introdução ao tema.

Certamente já se deram conta de que a sociedade contemporânea é muito diversificada. Numa palavra: plural. Por um lado existe um número considerável de seres humanos habitando ainda regiões cultural e socialmente distantes e diferentes das sociedades ditas industrializadas. Por outro lado, na própria sociedade ocidental, temos milhões de cidadãos, mergulhados em hábitos e comportamentos de consumo de massa, com acesso aos mais diversos produtos e serviços mas que se distribuem (também eles) por níveis de evolução diferentes tendo do mundo e do futuro (seus e da sociedade) visões e expectativas muito diversas. 

Esta miscelânia de "mundos" e de "visões e expetativas" distintas confere ao nosso planeta múltiplas dimensões e retratos da realidade humana. 

O tema foi pela primeira vez abordado pelo professor de psicologia americano Clare W. Graves, nos anos 60, tendo sido posteriormente desenvolvido por Don Edward Beck e Christopher C. Cowan. Atualmente, nomes como Ken Wilber, uma das mentes mais brilhantes do nosso tempo, adotaram o seu modelo de compreensão do mundo. Dois livros se destacam pelos seus contributos decisivos no seu esclarecimento e promoção: Spiral Dynamics, de Beck e Cowan (1996) e A Theory of Everything, de Ken Wilber (2002). 

Os 9 estágios da evolução humana
Baseados no trabalho pioneiro de Clare Graves, Beck e Cowan propuseram um modelo de desenvolvimento humano que, devido à sua configuração, recebeu o nome de Dinâmica da Espiral. Este modelo tem sido validado e não refutado por diferentes pesquisas. 

Segundo este modelo, o ser humano nasce no estádio 1 e pode evoluir até ao estádio 9 dependendo essa evolução de múltiplos factores psicológicos, culturais e sociais. Escreveu Graves: "é um processo espiralado, emergente, oscilante, marcado por uma progressiva subordinação de sistemas de comportamento mais antigos e de ordem inferior a sistemas mais recentes, de ordem superior, que ocorre à medida que os problemas existenciais de um indivíduo se alteram". 

A existência humana, segundo Graves, contem numerosos, provavelmente infinitos, modos de ser, enraizados precisamente nos imensos potenciais do cérebro hierarquicamente estruturado da humanidade. Mas a dinâmica humana faz com que diferentes indivíduos estejam a viver em diferentes níveis de perceção, visões do mundo e estilos de vida. Num mesmo país, numa mesma rua, encontramos indivíduos cujo estádio de desenvolvimento se distingue dos seus vizinhos, se bem que a tendência seja para se agruparem em função da partilha dos mesmos sistemas de crenças, valores e níveis de existência. 

Assim, cada um dos sucessivos estádios, ondas ou níveis de existência é uma condição pela qual as pessoas passam no seu percurso rumo a estádios de existência distintos, com psicologias próprias e ajustadas a cada nível: sentimentos, motivações, ética e valores, bioquímica, grau de activação neurológica, sistema de aprendizagem, sistemas de crenças, conceito de saúde mental, conceitos e preferências relativamente a negócios, educação, economia e teoria e prática políticas (Graves,1984). 
Nelson S Lima
Enviado por Nelson S. Lima às 16:17
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O Código da Inteligência

O psiquiatra e autor best-seller brasileiro Augusto Cury, meu colega e amigo de longa data, acaba de me honrar com o convite para escrever o prefácio de seu próximo livro O Código da Inteligência

A minha tese de doutoramento em Psychological Research foi precisamente sobre o tema inteligência. No caso, meu trabalho incidiu mais sobre a gênese da criatividade e a sua ligação com a inteligência.

O tema inteligência nunca esteve tão atual como agora. A Sociedade do Conhecimento assim o exige. Conhecimento com valor exige o uso otimo da inteligência. Só assim se torna em precioso capital intelectual (do indivíduo, das organizações e das nações). 

Quem muito bem escreveu sobre isto foi, além de Augusto Cury em Inteligência Multifocal, o pedagogo espanhol Jose António Marina para quem a inteligência só tem validade quando ela permite que o indivíduo a exprima através da personalidade e dos comportamentos triunfantes. Isto é, quando consegue uma inteligência bem sucedida, algo que depende muito das crenças que o indivíduo adote. E que crenças são essas? São aquelas que a pessoa escolhe para orientar o seu percurso na vida e que resultam na sua felicidade e no bem-estar daqueles que os rodeiam. É evidente que isto envolve também questões de caráter. Enfim, há todo um processo pedagógico nesta constelação de recursos e possibilidades e, por isso mesmo, a educação dos primeiros anos de vida é, quase sempre, decisiva.

Aguardo pois com muita expetativa o manuscrito de Augusto Cury para que me abalance à produção do prefácio sobre um tema - a inteligência - que sempre me fascinou.
Enviado por Nelson Lima às 14:16
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