Explorando mercado ainda novo, agência trabalha criando “identidade musical” para empresas

Em entrevista ao Administradores.com, Pedro Salomão, criador da Rádio Ibiza falou sobre o uso da música como uma ferramenta de marketing para as marcas

Agatha Justino, Administradores.com,

Quem nunca entrou em uma loja e se encantou com o ambiente, o cheiro, a arquitetura e a música e se influenciou por tudo isso na hora de adquirir um produto? O Marketing Sensorial é justamente isso. Uma estratégia desenvolvida para auxiliar os empreendedores a cativar o consumidor, e um dos pilares desse método é a música.

Formado em administração de empresas e pós-graduado em Sociologia Política e Cultural pela PUC, o carioca Pedro Salomão soube explorar esse segmento dentro do mercado brasileiro. Aos 21 anos, Pedro reestruturou uma produtora de áudio para comerciais e depois do sucesso no projeto resolveu montar a sua própria. Ao lado do sócio, Rafael Gasparian, ele criou a Rádio Ibiza em 2003 com uma proposta inovadora: criar uma identidade musical para marcas e ambientes. Em sua cartela de clientes estão lojas de roupas, restaurantes e shoppings centers. Cada música que toca é escolhida especialmente para agradar os ouvidos do cliente.

Em entrevista ao Administradores.com, Pedro fala sobre esse segmento e a proposta da Rádio Ibiza. 

Como surgiu a ideia de trabalhar com a criação de identidades musicais para marcas?

Basicamente, a empresa nasceu da crise. Simples assim. Adquirimos experiência com o mercado de comunicação ao longo de quatro anos investindo em atendimento. Sempre fomos focados nisto e eu, particularmente, sempre fui fascinado pelas relações de consumo, antropológicas. A partir daí enxergamos um mercado fonográfico em crise, com a pirataria, os novos formatos e a obsolescência de formatos de gestão.

Ao mesmo tempo o mercado de comunicação também sofria com as novas mídias e com um despreparo para entender as necessidades dos clientes. Daí, resolvemos pensar em algo novo, que pudesse ajudar as marcas a serem mais sensorais, desejadas e felizes. Nada melhor do que música. O que existia não se aproximava disso, as empresas faziam música ambiente, e daí o gênero lounge talvez tenha se proliferado.

A música era apenas um componente sem importância, sem identidade, sem propriedade. Então criamos uma empresa capaz de pensar a musica que falaria pelas marcas. Nós nos tornamos assim a maior empresa sensorial do país e passamos a exportar um produto totalmente inovador, inclusive pra o mercado externo.

Existe uma tendência fora do Brasil? Aqui ainda não é muito comum...

Com relação à tendência, na identidade musical fomos pioneiros. Marcas como a Taco, o restaurante Joe&Leo's, Farm, Maria Filó, Via Mia, Reserva, Animale e Shopping Rio Design foram as primeiras a investir nessa loucura.

No sensorial, todos os primeiros passos foram dados em 2006, mas de forma menos associada a branding. Se pararmos pra pensar, tudo é sensorial. Mas a ciência se aliou ao consumo entre 2005 e 2006. Muito com a evolução das mídias sociais e do mundo digital que conectou pessoas a marcas de forma mais intensa. Daí a necessidade das marcas serem mais verdadeiras, mais desejadas. Nosso projeto não cria a música que os outros esperam escutar nas marcas, elas falam pelo momento da empresa.

No mercado externo a identidade musical não existe e ainda se faz música ambiente. Nos Estados Unidos, por exemplo, se você entrar em três lojas de um mesmo segmento e target, escutará as mesmas músicas. Aqui, com nossos clientes eu duvido que isso ocorra.

Que tipo de estudo é realizado para criar a trilha sonora de cada estabelecimento? O que você leva em conta na hora de selecionar as músicas?

Olha, verdadeiramente, tudo. O primeiro passo é receber e separar esses inputs. Na moda vamos de cartela de cores ao tema da coleção passando por tecido, campanha, história e até mesmos gostos pessoais dos envolvidos no processo. Na gastronomia, o cardápio, a arquitetura e a comida.

O Marketing Sensorial é uma corrente que propõe o uso da música e cheiros para incentivar o cliente a consumir mais ou permanecer por mais tempo em um restaurante. A que você atribui esse efeito?

A felicidade. As pessoas querem ser felizes, querem se associar a marcas que gerem valor e sentido a suas vidas. As marcas precisam ser verdadeiras e comunicar-se o tempo todo com seus clientes. Música e cheiro representam tempos, sensações e memórias.

A Rádio Ibiza possui um conceito que explora a criatividade dentro do escritório utilizando elementos como decoração e personalização do ambiente de trabalho. Qual a vantagem desse modelo para a empresa?

Nosso primeiro valor é a felicidade. O único compromisso que estabeleço com meus funcionários é de sermos felizes. Passamos um terço de nossas vidas trabalhando (no mínimo), então isso precisa ser prazeroso, rico e agregador. Somos uma empresa que acredita nas pessoas e no sonho de gerar felicidade a todos que experimentam esse lugar e esse estado de espírito. A história dos sócios é uma historia de amor e achamos justo passar isso adiante.
 

Imagem: divulgação

Além da Rádio, vocês são responsáveis pela Filme Ibiza, um projeto direcionado a identidade visual. Você poderia falar um pouco deste modelo?

Claro. Nossos clientes pediam para opinarmos em filmes e campanhas e víamos excelentes produções, mas sempre muito parecidas. As pessoas têm dificuldades de criar, sabe? Preferem facilitar para aumentar lucros, talvez. Nosso tesão é criar coisas novas. E foi ai que conheci um cara sensacional, o Douglas Clayton, um londrino de nascença, paulista de criação e carioca de espírito. Ele cria coisas que me dão vontade de pirar cada dia mais para gerar felicidades para as marcas. Nosso projeto é pensar em novos modelos de filmes e de linguagem visual.

Como funciona o software que protege os direitos autorais das músicas?

Essa foi uma preocupação legal e autoral que tivemos. Como a lei era falha, não queríamos incentivar os oportunistas a lesarem os artistas. Criamos um software, orientado por nossos advogados, que apenas reproduzia músicas e não as deixava livres para que elas fossem compartilhadas, copiadas ou dadas. 

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Tags: Marketing sensorial Música Rádio Ibiza