O futuro da educação na área da saúde

Diretrizes Gerais para a Educação dos Profissionais de Saúde no Século XXI 

O Relatório Flexner, publicado em 1910, fixando as diretrizes de ensino nos Estados Unidos e adotado nas instituições de ensino brasileiras, contribui para agravar a questão da dicotomia mente-corpo ao preconizar a separação entre o ensino básico e o clínico.
Nosso modelo acadêmico dá uma ênfase demasiada ao papel do professor, marginalizando a importância do aluno no contexto do processo ensino-aprendizagem. A fragmentação das disciplinas e a indução à especialização precoce do aluno são na realidade, agravos enfrentados pelo sistema educacional universitário no país.
Existem competências comuns aos cursos de saúde que toda instituição deve preservar.
1. Atenção à saúde: os profissionais de saúde, dentro do seu âmbito profissional, devem estar aptos a desenvolver ações de promoção, prevenção, proteção e reabilitação da saúde, tanto ao nível individual, quanto coletivo. Os profissionais devem realizar seus serviços dentro dos mais altos padrões de qualidade e dos princípios da bioética (ética da vida);
2. Tomada de decisões: o trabalho dos profissionais de saúde deve estar fundamentado na capacidade de tomar decisões visando o uso apropriado, eficácia e custo-efetividade da força de trabalho, de medicamentos, de equipamentos, de procedimentos e de práticas.
3. Comunicação: os profissionais de saúde devem ser acessíveis, capazes de ultrapassar as barreiras culturais na interação com os diferentes pacientes, grupos e comunidades. Devem também estar capacitados a interagir e articular-se com outros profissionais de saúde. Devem manter a confidencialidade das informações a eles confiadas. A comunicação envolve comunicação verbal, não verbal e habilidades de escrita e leitura;
4. Liderança: no trabalho em equipe multiprofissional, os profissionais de saúde deverão estar aptos a assumir posições de liderança, sempre tendo em vista o bem-estar da comunidade. A liderança envolve compromisso, responsabilidade, empatia, habilidades para tomada de decisões, comunicação e gerenciamento de forma efetiva e eficaz.
5. Administração e Gerenciamento: os profissionais devem estar preparados a fazer o gerenciamento e administração tanto da força de trabalho, dos recursos físicos, materiais e de informação, da mesma forma que devem estar preparados para serem gestores, empregadores ou lideranças na equipe de saúde;
6. Educação Permanente: Os profissionais devem ser capazes de aprender continuamente, tanto na sua formação quanto na sua prática profissional. Desta forma, os profissionais de saúde devem aprender a aprender, ter responsabilidade e compromisso com a educação e o treinamento/estágios das futuras gerações de profissionais, não apenas transmitindo conhecimentos, mas proporcionando condições para que haja benefício mútuo entre os futuros profissionais e os profissionais dos serviços;
7. Princípios dos cursos da área da saúde para que os profissionais de saúde tenham as competências citadas:
• currículos fundamentados no humanismo e em metodologias ativas para o processo ensino-aprendizagem ;
• integração de conteúdos básicos e profissionalizantes;
• relação de equilíbrio entre teoria e prática;
• diversificação dos cenários de aprendizagem;
• pesquisa integrada ao ensino, com a participação de profissionais dos serviços e da comunidade;
• educação orientada aos problemas mais relevantes da sociedade;
• seleção de conteúdos essenciais em bases epidemiológicas;
• currículos flexíveis, com atividades eletivas;
• terminalidade dos cursos, garantindo a formação geral do profissional;
• educação centrada no aluno, visto como sujeito dos processos de ensino-aprendizagem;
• avaliação formativa do aluno, baseada nas competências cognitivas, afetivas e psicomotoras.
Conteúdos comuns que os currículos dos cursos da área da saúde devem proporcionar
• conhecimentos de técnicas de comunicação e relacionamento pessoal, que permitam a adequada relação com o paciente, com a comunidade e sua atuação em equipe multiprofissional de saúde;
• conhecimentos para participar no gerenciamento das ações de saúde, levando em conta o processo de trabalho, a relação custo-efetividade, visando a equidade e a melhoria do sistema de saúde;
• conhecimentos sobre políticas de saúde e abrangência das ações de saúde, segundo o enfoque de vigilância à saúde;
• conhecimentos do processo saúde-doença, das condições de vida e do perfil epidemiológico da população;
• conhecimentos, desenvolvimento de habilidades e mudança de atitudes que possibilitem o exercício profissional baseado nos princípios da Ética e da Bioética .
Em 1995 houve a reunião do G7 (Johanesburgo). O grupo dos sete países mais ricos recomendava fortemente que universidades se preparassem para oferecer cursos a distancia.
A UNIFESP em 19979 ofereceu o curso de nutrição em saúde pública, que foi o primeiro curso de especialização totalmente on line, aprendizado centrado na resolução de problemas, com base em cinco princípios:
1) professor não é um simples transmissor de informações, mas um tutor no processo de aprendizagem.
2)aluno não é receptor passivo de informações como no modelo clássico, mas ativo na pesquisa e busca de informações.
3)toda informação teórica necessária p/ aprendizado do aluno deveria ser encontrada na internet.
4)na preparação do material didático deveria, tanto quanto possível, incorporar recursos multimídia (textos,som, imagens estáticas, em movimento, vídeos)
5)intensa interatividade entre alunos-alunos, alunos-professores, instituição.
Os próximos 10 anos da educação à distância na área da saúde
• desenvolvimento de programas em parceria com departamentos tecnológicos da universidade;
• virtualização da universidade com a necessidade de se investir na formação de professores para a utilização de recursos da internet a fim de disponibilizar aulas on line;
• uso dos recursos de pesquisa e busca de informações, fórum de discussão, lista de discussão e outros meios de comunicação entre professores e alunos;
• alunos: parceiros na construção do currículo e mais independentes no aprendizado;
• educação à distância: multidisciplinar e multiinstitucional, com formação de consórcios por todo o pais;
• uso maior de laboratórios virtuais;
• uso das redes de alta velocidade para realização de simulações e outras atividades interativas mais complexas por meio da internet.
Maior atenção às necessidades sociais em saúde
Em 1978 a Conferência Internacional de Alma-Ata, ocorrida no Cazaquistão promulgou a diretriz “saúde para todos”, juntamente com a proposição da atenção primária em saúde.
Qual o cenário no Brasil?
Somente cerca de 2,8% dos médicos brasileiros incluídos no SUS são generalistas, contra cerca de 50% ou mais nos sistemas de saúde da Inglaterra ou Canadá.
O grande Paradoxo
Existe hoje um avanço tecnológico vertiginoso na área da saúde versos um inexplicável distanciamento do paciente.
Em 1999 uma pesquisa realizada pela National Health Interview Survey (NHIS) com cerca de 30.801 pessoas maiores de 18 anos demonstrou que 28.9% dos adultos nos EUA usaram ao menos 1 modalidade de terapia alternativa no ano anterior. As três terapias mais utilizadas foram:
• oração ou “cura espiritual” (13.7%);
• ervas (9.6%);
• quiropraxia (7.6%).
A pesquisa apontou que em casos de pacientes com câncer mais de 1/3 utiliza terapia alternativa após o diagnóstico.
Medicina Narrativa
Implantada inicialmente na Columbia University, em Nova Iorque. Esse método de ensino busca resgatar aspectos subjetivos e emocionais, reconhecendo o valor da palavra e da escuta, e propiciando melhor comunicação médico-paciente.
Can J Psychiatry, Vol 48, No 3, April 2003
A bibliografia acima nos indica que:
• Gallup, 1996: 96% americanos crêem em Deus;
• 21% dos psiquiatras são ateus;
• 94% dos pacientes internados acreditavam que a saúde espiritual é tão importante quanto a física;
• 77% gostariam que assuntos espirituais fossem considerados no cuidado da saúde;
• mas apenas 10-20% tinham conversado com o médico sobre este tópico;
• Quando internados, 80% dos psiquiatras e 88% dos demais pacientes expressaram necessidade por oração.
• Diretrizes da Associação Americana de Psiquiatria (1995): incluir “influências religiosas importantes na vida do paciente”.

“Um pouco de ciência afasta as pessoas de Deus; muita ciência aproxima”.
Louis Pasteur





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Palavras-chave

Sobre o autor

Raquel Tavares Vilas Boas Ribeiro

Todos os semestres milhares de profissionais de saúde saem das suas universidades após cursar de 5 a 6 anos de Faculdade e não encontram espaço no mercado de trabalho.



Precisamos repensar os modelos educacionais vigentes que não nos permitem (de modo geral) adquirir habilidades e competências básicas para o exercício da profissão.



Em 2008, ano em que concluo o meu curso, atuei em UTIs em hospitais em diversas realidades. Passeando pela Net e conheecendo a realidade de outras universidades e outros países vejo como é difícil para o profissional de saúde no Brasil enxergar uma luz no fim do túnel. E como são amplas as oportunidades. Basta-nos apenas criatividade. Eu quero fazer diferença como profissional da minha área!

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Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais - 10º período (concluinte) do cursos de Fisioterapia. 



Interesse : Administração Hospitalar e Educação em Saúde.



• Participação do curso “Ergonomia Mercado em Expansão” (Jun.2007). 



• Participação do Congresso de Cardiologia da Sociedade de Cardiologia Brasileira em Nov. 2006.



ASSOCIAÇÃO MINEIRA DE REABILITAÇÃO

• Estágio voluntário na área de neuropediatria. 



Hospital N. Sra de Lourdes (SP)

• Estágio voluntário na UTI Geral



Hospital da Polícia Militar de MG - 

Estagio em Fisioterapia Respiratoria até o final do curso.



Hospital João XXIII - Fisioterapia Hospitalar.



Hospital Belo Horizonte - Estágio em Fisioterapia Respiratória.



Várias palestras para alunos dos cursos de Fisioterapia e outros em saúde sobre as perspectivas setoriais.





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Comentários


A economia mundial irá se recuperar em 2009?

Completamente.
Moderadamente.
A economia não irá se recuperar em 2009.





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