Em Defesa do Rabino Henry Sobel

Conheço Henry Sobel como a imensa maioria dos brasileiros, por sua vida e obra, e de alguns eventos onde atuei profissionalmente e ele estava presente.
Não privo de sua amizade, tampouco tivemos a oportunidade de conversar até o presente momento.
Apesar disso, imediatamente quando tive conhecimento pela mídia do acontecido nos Estados Unidos, saí em sua defesa frente aos comentários inoportunos e maldosos a que este tipo de notícia sempre dá lugar.

Pareceu-me evidente, desde o primeiro instante, que se tratava de uma espécie de surto de origem psíquica.
Não que a condição de rabino o isentasse das lutas entre virtudes e defeitos que caracterizam a espécie humana, e que sempre marcou tanto a vida dos santos quanto as dos líderes religiosos, das mais variadas culturas e épocas. É justamente a constante dedicação a vencer a si mesmo e às “tentações” de ordem material e espiritual (sempre mais fortes na vida destes homens que na dos demais) que sempre caracterizou a vida de tais homens extraordinários.

O Sr. Sobel é homem e, como todos nós poderia, hipoteticamente, apresentar uma falha de comportamento. Contudo, em nenhum momento aceitei esta hipótese como a mais provável para o caso em questão. Pensei, sem saber que estava certo, que ele poderia estar se submetendo a algum tratamento de ordem neurológica ou psiquiátrica para problemas comuns que afetam uma enorme parte da nossa população.

Recentemente ouvimos o cantor Roberto Carlos declarando que estava se tratando com terapia cognitiva de TOC (transtorno obsessivo compulsivo) que se caracteriza, entre outros sintomas, pela presença de manias que acabam dominando o comportamento de maneira poderosa. O mesmo aconteceu com Luciana Vendramini e muitas outras pessoas públicas, além dos casos que cada um de nós conhece em sua rede de relacionamentos.

Considerando esta possibilidade, pareceu-me que o que haveria acontecido com o Sr. Sobel tivesse sido um surto no qual ele tivesse a extrema compulsão por agir da maneira noticiada. A primeira menção da imprensa sobre um pronunciamento do rabino (antes da coletiva de imprensa) dizia que ele havia declarado que não tinha a intenção de agir como agiu.

Esta declaração reforçava minha hipótese porque diante de um surto a pessoa não age movida por suas intenções e princípios morais e religiosos, mas movida por uma compulsão caracterizada pelos pacientes como incontrolável.
Associado a isto, encontramos o fato de que muitos medicamentos utilizados no tratamento de depressão e outros males podem causar como efeitos colaterais o agravamento de determinados sintomas e o aparecimento de outros. Todo médico é extremamente cauteloso na sua entrevista de anamnese antes da indicação de determinadas substâncias, pois algumas podem potencializar até mesmo surtos suicidas.

Fiz questão de defender esta minha hipótese em todas as conversas que surgiram ao meu redor e nos eventos que eu estava conduzindo nestes dois dias que antecederam a entrevista coletiva do rabino, assim como faço questão de defendê-lo neste artigo.

Defendo-o na condição de ser humano e defendo-o pelos seus impagáveis serviços prestados à vida brasileira. Que ninguém se esqueça que em épocas muito difíceis da nossa história sua postura foi sempre em favor da liberdade de expressão e que juntamente com Dom Paulo Evaristo Arns, Henry Sobel foi um dos homens mais importantes no estabelecimento do diálogo inter-religioso no Brasil.

Suas atividades como rabino e pessoa pública sempre foram das mais transparentes, honestas e exemplares, estando sempre envolvido com a causa da Humanidade e honrando seus princípios morais e religiosos.

A própria entrevista coletiva frente a toda a imprensa brasileira mostrou-nos um Henry Sobel verdadeiro, humilde e sincero que nem sequer tentou justificar o ocorrido, apenas deixou claro duas questões fundamentais: o seu humilde pedido de desculpas pelo transtorno (que não ocorreria se ele não fosse figura pública e ocupasse papel tão relevante frente a uma respeitada escola religiosa e etnia), e que: “aquele homem que praticou aquela ação não é o Henry Sobel que nós conhecemos”, e muito provavelmente, um Henry Sobel que ele mesmo não reconhece, por ter agido fora do seu equilíbrio.

Talvez alguém me pergunte por que mesmo após o esclarecimento na entrevista coletiva eu escrevi este artigo?
A razão é que, muitos ainda irão alegar que a explicação dada pelo rabino foi uma saída honrosa para um fato injustificável, seja porque estão acostumados a julgar o próximo sem conhecer a realidade dos fatos interiores e exteriores que os movem ou, por preconceito étnico ou religioso - duas coisas frente às quais não posso silenciar!

Em Direito, no Brasil, damos aos réus o benefício da dúvida e consideramos se existe culpa (responsabilidade) e dolo (intenção) antes de proferir julgamentos; em religião, os budistas teriam compaixão frente às armadilhas da mente humana, os judeus diriam “mazal tov”, considerando que poderiam ter acontecido desdobramentos piores que colocassem em risco a vida do rabino (por exemplo) e, os cristãos deveriam se eximir de qualquer tentativa de julgamento, já que o “não julgueis” deve ser característica dos que seguem esta escola religiosa.

Se concedemos a todos o benefício da dúvida, quando se trata de um homem da estatura biográfica do rabino Henry Sobel não deveríamos conceder-lhe apenas o benefício da dúvida, mas sim a certeza de que, fossem quais fossem as circunstâncias, nada poderia apagar a sua biografia que é a digital da sua vida e obra e, que nada poderíamos concluir sem ouvi-lo a respeito.

Por isso escrevi este artigo. Não se trata apenas da atitude de um membro do cristianismo defendendo um membro do judaísmo, mas de um irmão defendendo a outro e, a de um homem de trinta e nove anos que é grato pelas atitudes que caracterizaram a vida deste rabino que, em muito engrandeceu e engrandece a nossa evolução como pessoas e filhos de Deus!

Meus votos de pleno restabelecimento e o meu profundo respeito ao Sr. Henry Sobel e a toda a comunidade judaica do Brasil, a quem, todos nós, tanto devemos!

Carlos Hilsdorf. Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha) e do Fórum Internacional de Administração (México). Referência nacional em desenvolvimento humano. Autor do best seller Atitudes Vencedoras.
www.carloshilsdorf.com.br





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Sobre o autor

Carlos Hilsdorf

Palestrante do Congresso Mundial de Administração (Alemanha) e do Fórum Internacional de Administração (México).

Economista, Pós Graduado em Marketing pela FGV e profundo pesquisador do Comportamento Humano.

Palestrante do Congresso Internacional de Educação, e do Fórum Internacional de Criatividade.

Autor do Best Seller “Atitudes Vencedoras”, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero (VEJA, "Guia de Carreira", ed. 1832). Autor especialmente convidado para os livros: Gigantes das Vendas, Gigantes da Motivação, Gigantes da Liderança, e Reimaginando a Administração.

Proferiu mais de 1.600 palestras.

Colunista de importantes veículos nacionais, é referência em desenvolvimento humano no país. 

Hilsdorf é presença constante nos principais congressos e fóruns empresariais de Administração, RH, Liderança, Marketing e Vendas do Brasil. 

Membro do Conselho Consultivo da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida).



www.carloshilsdorf.com.br

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