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Carreira e Performance

Siglas e certificações

As certificações após os títulos e a importância, para o desejado e necessário diferencial dos profissionais visando o mercado de trabalho atual. Não há fórmulas. Há dicas. Existem situações conjunturais que propiciam sucesso. Alguns o encaram como milagres, sorte, outros como determinação, análise, visão. Tudo é possível
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Não é de agora, que de maneira indiscriminada, o mercado,
estimulado, em ocasiões, até por uma parcela de caça-talentos, te obriga a poupar siglas e a
adquirir certificações.

Comumente, pessoas das equipes terceirizadas de seleção, que
não têm envolvimento algum (entenda-se conhecimento básico sobre a atividade, para
a qual escolhem e indicam os candidatos), espalham lengalengas, como por
exemplo: nestes momentos o mercado está procurando e valorizando altamente, tal
ou mais qual certificação.

Isto desata uma corrida desenfreada, não pela superação, nem pela
educação continuada. Por um lado, uma interpretação, às vezes cruel, de
manipular necessidades dos que precisam de um emprego e por outro lado, auto-consentir
justificativas do fracasso profissional, ou seja, uma espécie de conformidade,
pela decantação perante o filtro que não te escolheu, para a tão almejada vaga.

O profissional começa tristemente a entender a razão pela
qual está excluído, fora das expectativas do mercado, fica altamente preocupado
porque não fez o investimento adequado, por não ter trilhado de maneira correta
um plano de carreira, traduzindo melhor, não gastou dinheiro, provavelmente o
que não tinha; não entrou na elite, para a qual ninguém se preocupou em
corroborar, se tudo aquilo não passava de uma parafernália de siglas, de conhecimentos
pontuais e aprendidos exclusivamente, para obter certas certificações. Isto não
é a generalidade, mas acontece com bastante frequência. O tempo dirá a última
palavra, ou ao menos, a seguinte.

Tudo isso tem originado um estado de desconfiança na
credibilidade nos CV recebidos, nas cartas de apresentação. Os empregadores
preferem acudir ao QI (Quem Indica), porque se por ventura não for a pessoa
certa, mínimo existirá uma relação de compromisso e comprometimento com quem
teve a gentileza (coragem / responsabilidade) de te indicar, ainda que muitas
vezes as pessoas antepõem frases como: “eu pessoalmente não o conheço bem,
nunca trabalhei diretamente com ele, mas sei, ouvi dizer, que o cara é fera no
ramo”, para salvar a própria pele e afastar qualquer indício de favoritismo,
que entorpeça a honestidade e a transparência de certos processos seletivos.

De maneira direta, estes “boatos” sobre as exigências e
certificações que estão na moda estimulam os dividendos de certas instituições de
ensino e possibilitam o surgimento de aproveitadores de toda laia, para morder
a correspondente fatia do bolo colorido, com as muitas notas que cobrem os
valores, para os diferentes cursos, preparatórios e recursos da mesma índole.

Foi-se o tempo onde as pessoas achavam, alguns sonhavam e
outros idealizavam sobre a necessidade de adquirir conhecimentos, assim que
terminavam as faculdades. Os ex-alunos estavam ávidos por aprender, sentiam um déficit
de informações necessárias, que a teoria aprendida nas salas de aulas, não preencheu.
Ainda estavam influenciados por uma geração com vergonha na cara, onde os
valores existentes apontavam para o saber, como fonte do respeito e do futuro
crescimento.

A falta ou a inversão de valores propiciou a ascensão de uma
canteira vergonhosa de profissionais despreparados e reais analfabetos, no que
se refere aos títulos ostentados, com experiência prática beirando à nulidade,
porque sempre abordaram tudo pela superfície. Para estes, o importante não e
saber por si só. O importante é saber se posicionar. Ter o protótipo, a estampa
do dirigente, ou o chamado perfil de gerente, a imagem indiscutível do líder.

Dias atrás, em uma conceituada rede de contatos
profissionais, a modo de teste, alterei o meu perfil e nele coloquei algumas
siglas, que careciam de lógica alguma e que não tinham correspondência com
nenhuma das habituais, tais como AAA, ABC, DEF, XYZ, 12324 e além do sistema
permitir, semelhante invasão, o que seria muito fácil de cercar, estabelecendo
um banco de possíveis classificações, assim como implementar os recursos para a
inclusão de novas siglas, com seu devido mecanismo de aprovação, fui
bombardeado por inúmeras mensagens, me parabenizando pelas conquistas e me
desejando sucessos. Muito obrigado pelos bons votos!

Concluindo: a realidade é uma, a situação do país e do mundo
não é atualmente a melhor, nem a mais favorável e a necessidade de diferenciais,
consequentemente aumentou, para disputar as relativamente poucas oportunidades
convidativas do mercado. Se puder invista em você, nunca está demais aprender,
mas não seja escravo dos modismos, nem dos estilistas da profissão.

Em circunstâncias de desespero por uma colocação no mercado de trabalho, você não será nem o primeiro e infelizmente, também não será o ultimo, que se verá obrigado a omitir relevantes informações, incluindo certificações e títulos, da sua carreira, para não ter que ouvir a indesejada resposta, que o seu perfil está além do requerido, mas por enquanto você continuará com o bolso vazio e o CV cheio de “luminárias”. Ou seja, o que era para ajudar, agora atrapalha. Difícil de entender!

Por outro lado, muita preparação sustentada por siglas, certificações e até por conhecimentos e habilidades reais poderiam constituir uma ameaça, para as mentes insanas, que abundam nas empresas.

Eu também tenho siglas e certificações. Já fui escolhido, já
fui vetado e já fui descartado. Sinto-me realizado, mas sem estar fechado a
nada. Um dia reparei em que, para ser
presidente do país, o que está bem longe das minhas aspirações, não precisava
de tantas siglas e certificações, inclusive nem de estudos. Conheço uma interminável
lista de donos, diretores, CEO, etc., com carência significativa de siglas e
certificações e pensei … em escrever
estas linhas, me preparar para obter novas certificações e parabenizar e respeitar, aos que como eu têm várias siglas e
certificações e aos que se esmeram por um dia consegui-las.

Se acumular títulos, siglas e certificações te fizer mais feliz ou te dar mais tranquilidade na tua
concepção do caminho, para o sucesso, acreditando elevar a empregabilidade: vai em
frente!

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