Santa Maria: que horror de gestão
Faltou renovação alvará, faltou saída emergência, faltou lembrar que sinalizador causa incêndio, faltou verificar se havia carga no extintor, faltou avisar seguranças que havia incêndio e não era para cobrar as pessoas e sim deixá-las passar, era para ter 1000 pessoas e não 1.500 pessoas
Bem, não é agradável escrever sobre uma tragédia como esta, mas está além da revolta que toma conta da sociedade brasileira, desde a manhã deste domingo até esta segunda feira, pelas circunstâncias.
O que chama a atenção é o amadorismo na administração e na gestão de uma empresa com uma comunidade de 1.500 pessoas, agora com as famílias.
Todos sabemos que uma empresa tem stakeholders, e públicos-alvos que precisam ser pensados em todos os momentos. Nos melhores e nos piores momentos.
Como podemos admitir que uma empresa, neste caso uma casa noturna (quantas devem ter nesta cidade), em uma cidade com 261.031 habitantes, que está com o alvará vencido desde agosto de 2012 (estamos em janeiro de 2013), ofereça uma festa universitária para 1000 universitários, quando na verdade estavam presentes 1.500, segundo o corpo de bombeiros, em local que os extintores de incêndio não estão recarregados, não tem saída de emergência, os músicos fazem show pirotécnico em vez de fazer música e, ainda, os próprios seguranças barram pessoas para pagarem antes de sair a fim de não "darem o calote".
Ou seja, um completo "show dos horrores". Despreparo total, falta de treinamento e ganância.
O escritório de advocacia Kümmel & Kümmel divulgou comunicado na noite de domingo (27), em nome da boate Kiss, local do incêndio em que pelo menos 233 pessoas morreram na madrugada de ontem. Na nota, a empresa Santo Entretenimento Ltda manifesta o seu "maior sentimento de dor e de solidariedade em decorrência da lamentável tragédia" e a classifica como uma "fatalidade". Ou seja, acredita "que não estamos com nossa massa encefálica nos lugares corretos" pois fatalidade pode ser tudo menos isso tudo o que ocorreu lá em Santa Maria.
Por isso, crise e comunicação de crise não deve ser atribuição de advogados e sim de profissionais de comunicação corporativa. Tentar tirar a culpa dos seus respectivos culpados e fantasiar expressões como essa "fatalidade", não passam de querer "brincar" de eximir a real culpa de seu "cliente" e ainda "minimizar" o sentimento que "as vítimas estão passando".
Não foi fatalidade. Local fechado - pirotecnia. Incêndio em um espaço sem saída de emergência, sem extintores recarregados, seguranças segurando pessoas. Havia brigada de incêndio?
Então é absolutamente inacreditável como empresas de serviços, em especial casas noturnas são mal administradas e, claro, não obedecem às leis e exigências dos poderes públicos.
Claro que agora vamos ver uma corrida de prefeitos e órgãos para ampliar as exigências para que discotecas e boates tenhas mais leis que regulamentem seus respectivos funcionamentos. Claro que já se fazia tempo.
Os frequentadores de bares, restaurantes e baladas já sabem o que frequentam e costumam ver por aí. Fornecer uma lista é muito fácil. Qualquer um pode fazer com a maior facilidade.
O pior é que é em nosso próprio benefício. Administrar e gestão para nós mesmos não sofrermos perdas como nossos brasileiros de Santa Maria.
Deus esteja com nossos brasileiros em Santa Maria e em todo Brasil.
Até a próxima. Boa Semana. Bom Trabalho. Aguardo seu comentário.
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