“O segredo não é correr atrás das borboletas. É cuidar do jardim para que elas venham até você”Mário Quintana Chega aquele dia em que você empresário, se pergunta: Será que não está na hora de vender minha empresa? As razões que levam a essa decisão ou pensamento são inúmeras (aposentadoria, conflitos entre sócios, falta de sucessores, novas prioridades , falta de capital, concorrência imbatível, etc). Do seu lado você tem toda uma história de empreendedorismo , desafios, noites sem dormir, muito esforço e perspicácia. Mas agora os desafios são outros. Quanto vale minha empresa? Será que ela tem as características que os compradores valorizam? O que eu deveria fazer para que minha empresa seja a mais desejada e lógico, a mais valorizada no meu segmento? Em relação ao valor de sua empresa, sugiro que você leia meu artigo 'Quanto vale uma empresa…? O ponto de vista do comprador.' , publicado no site www.administradores.com.br. Esse artigo trata do processo de avaliação como um todo e a partir daí, o que é valorizado pelos compradores e os passos para que sua empresa seja a escolhida. O Processo de Avaliação Aspectos internos e externos à empresa influenciam o valor de um negócio e o processo de avaliação de uma empresa, é lógico, tem questões quantitativas e qualitativas. É importante que tenhamos em mente que: – Avaliação não é uma ciência exata; – A teoria dá a base, mas conhecimento e experiência do avaliador é que conta; – Avaliação completa requer conhecimento técnico e entendimento da operação em detalhe; – Relatórios financeiros são apenas o ponto de partida; – Resultado é subjetivo e influenciado por vários fatores do negócio/ do comprador e do vendedor . Aspectos Externos É lógico que se você for abordado por um grande concorrente global, alguns aspectos externos não serão nem analisados, pois o interessado muito provavelmente já é do ramo e conhece melhor do que ninguém as características do segmento. Já um investidor independente ou um fundo de 'private equity' provavelmente vai analisar os seguintes aspectos: · Ambiente Macro – Recomenda-se analisar para o país/ local onde a empresa se encontra, as variáveis que influenciam a empresa. Nesse sentido e para facilitar a memória, recomenda-se a utilização das iniciais de cada grupo de variáveis , formando o S.T.E.P. – Sócio-Cultural – Tecnológico – Econômico – Político • Estrutura da Indústria – Aqui nada mais útil que utilizar a análise das 5 forças de Michael Porter: Aspectos Internos Aqui são avaliados os aspectos qualitativos e os quantitativos (valor da empresa). Vamos listar os aspectos qualitativos mais importantes: – Estratégia e Objetivos (Custo ou Diferenciação) – Cadeia de Suprimentos – Ciclo de vida do produto – Marketing – Tecnologia – Vendas – Recursos Humanos – Finanças Já a avaliação quantitativa pode ser dividida em 4 etapas a saber: 1 – Análise Contábil Aqui são avaliadas a confiabilidade e a acurácia da informação contábil. Como são preparadas as demonstrações financeiras? O sistema contábil corretamente capta, registra, classifica e reporta a situação econômica, financeira e patrimonial da empresa? Os ativos, os passivos, as receitas e os custos estão corretamente mensurados? São auditadas? Se a resposta a essas perguntas for positiva, estamos a meio caminho andado para a segunda etapa do processo de avaliação quantitativa, que é a análise das demonstrações financeiras. 2 – Análise das Demonstrações Financeiras Nessa etapa as demonstrações financeiras básicas (Balanço, DRE e Fluxo de Caixa) vão ser escrutinadas de forma profunda: Balanço – O que a empresa tem e o que a empresa deve? Demonstração Econômica de Resultados (DRE) – Quanto e como a empresa está ganhando dinheiro? Fluxo de Caixa : O dinheiro ganho está se transformando em Caixa ? Após o escrutínio, ajustes deverão surgir por conta da diferença de critérios entre comprador e vendedor, ou por falhas na contabilidade da vendedora (falta de provisões para processos comerciais, fiscais , trabalhistas, dividas não registradas, etc.). Uma vez 'ajustadas', as demonstrações financeiras estarão prontas para serem submetidas a uma análise financeira clássica: DRE – Demonstração Econômica de Resultados – O que aconteceu? A empresa ganhou dinheiro e como ganhou? São eventos recorrentes ou extraordinários? • Crescimento de Vendas (regiões, clientes, produtos) • Margens – Bruta – Operacional – EBITDA (LAJIDA) Lucro antes dos Juros, Impostos e Depreciação – Líquida • Despesas – Montante – Estrutura Balanço – Ativo • Caixa • Contas a Receber (prazo/ atrasos) • Estoques (giro, qualidade) • Permanente (idade, produtividade) – Passivo • Contas a Pagar (prazo) • Provisões (abrangência, riscos) • Dívida (perfil, prazos, custos) 3 – Premissas e Previsões Após a análise profunda da rentabilidade, juntamente com a estratégia da Companhia e dos cenários (STEP), você estará em condições de realizar projeções para cada item da DRE e do Balanço, simulando onde a companhia vai estar em termos de: Vendas: Quanto vamos vender nos próximos 5/ 10 anos? A que preço? Que produtos, em que regiões e mercados? Margens: Como os custos (variáveis e fixos ) vão se comportar? Há projetos de redução de custos relevantes? Qual o impacto deles nas margens? Despesas Fixas: Como vai evoluir a estrutura necessária para 'entregar' as vendas projetadas e quais são as projeções de reajustes salariais e de inflação? Capital de Giro: Quais são as necessidades de capital de giro? Os prazos de recebimento, pagamento e estoques vão mudar em função de novas vendas, fornecedores ou projetos? Investimentos Fixos: Quais são as necessidades de capital fixo em função da capacidade atual e futura, dos projetos de modernização e expansão? Financiamento: Como a necessidade adicional de capital de giro e de investimento fixo vai ser financiada? Recursos próprios ou de terceiros? A que custo, com que prazo? 4 – Avaliação Econômica (Valor do Negócio) O Caixa é Rei O que importa ao final das previsões é descobrir qual vai ser o fluxo de caixa livre do negócio, isto é, quanto e quando vai sobrar no caixa depois de vender, pagar todos os recursos, os juros, os impostos, e investir o necessário para manter e crescer sua empresa? De posse das projeções do fluxo de caixa livre , ele deve ser descontado a valor presente por uma taxa de desconto, que vai 'trazer ' a valor presente o fluxo de caixa, tema também já abordado por mim em artigo recente. Esse valor presente é o valor da sua empresa, e normalmente pode ser associado a múltiplos do faturamento ou do EBITDA. Passos para estar preparado para a venda Essencialmente, a qualidade de sua empresa (Pessoas, Clientes, Produtos, Tecnologia ) é o que mais conta na avaliação, mas é claro que alguma preparação pode melhorar bem a atratividade de sua empresa: A – Resolva os conflitos entre sócios, caso existentes; a. Se em paz já é difícil conseguir o consenso para dirigir uma empresa, imagine o potencial de destruição de valor quando os sócios não combinam. B – Sistema Contábil e Auditoria a. Um sistema contábil robusto e se possível auditado, é como uma estrada pavimentada para a fechamento da negociação, absolutamente necessário. C – Governança Corporativa; a. Implante ao menos o básico de uma boa governança corporativa (Transparência, Equidade, Prestação de Contas, Responsabilidade Corporativa) b. Acabe com toda a confusão da pessoa física com a jurídica, isto é, a empresa não se confunde com a figura dos sócios (despesas da pessoa física não podem ser pagas pela jurídica e vice-versa) D – Zero de Informalidade (o Comprador não paga nada por informalidade) a. O famoso 'caixa 2' deve ser eliminado, tudo deve ser formalizado, inclusive relações trabalhistas. E – Sistemas a. Um bom sistema de ERP (Enterprise Resourcing Planning) de mercado, que integre todas as operações da empresa, é muito bem visto em detrimento de sistemas manuais , ou caseiros ou não integrados. F – Arrume a Noiva a. Aparência exterior da planta e do escritório, bem como moral dos funcionários ajudam a causar uma boa impressão.